Muitas pessoas podem achar que gestação e alfabetização são temas distintos. No entanto, há fatores na gravidez que podem influenciar diretamente no desenvolvimento do aluno. O que acontece durante essa fase pode afetar o desenvolvimento cognitivo, emocional e comportamental da criança. Isso porque a aprendizagem começa na barriga da mãe, já que, segundo estudos, o bebê já sente tudo ao seu redor.
Por este motivo, o desenvolvimento na gestação é o primeiro passo da educação. Nesse período, fatores como a saúde física e emocional da mãe, nutrição adequada, ambiente familiar e exposição a substâncias tóxicas influenciam diretamente o desenvolvimento neurológico do bebê. Pesquisas indicam que esses elementos impactam áreas como atenção, memória e regulação emocional, funções essenciais para o sucesso escolar na infância.
Além disso, a saúde da gestante é fundamental. Condições como hipertensão, diabetes gestacional e infecções não tratadas podem comprometer a oxigenação e nutrição do feto. Além disso, altos níveis de estresse e ansiedade elevam o cortisol, hormônio que pode afetar a formação de estruturas cerebrais ligadas ao comportamento e à aprendizagem, como o hipocampo e o córtex pré-frontal.
Da mesma forma, a nutrição adequada fornece os substratos essenciais para a formação cerebral. A deficiência de nutrientes como ferro, ácido fólico, ômega-3 e iodo pode estar relacionada a déficits cognitivos, dificuldades de linguagem e baixo desempenho escolar. Segundo a Organização Mundial da Saúde, a ingestão adequada de ácido fólico reduz em até 70% o risco de defeitos do tubo neural.
Não podemos esquecer de que o ambiente externo e familiar impacta o bebê na gestação. Ambientes com exposição constante a violência, instabilidade emocional ou poluição ambiental estão associados a maiores taxas de atraso no desenvolvimento neuropsicomotor. Um ambiente acolhedor, com vínculos positivos e apoio emocional à gestante, favorece a liberação de hormônios benéficos que promovem a maturação saudável do sistema nervoso central do bebê.
A gestante não deve ingerir substâncias como álcool, tabaco ou altos níveis de estresse porque estes são fatores de risco importantes que causam impactos no sistema nervoso da criança, podendo resultar em TDAH, problemas de atenção e memória. Reforçando que estas questões envolvem fatores genéticos, ambientais e interações complexas.
Lembre-se de que o emocional da gestante influencia diretamente o bebê. Como a mãe se sente nesse período. Sentimentos como falta de acolhimento, medo ou estresse interferem na estabilidade emocional do bebê, impactando a regulação emocional, habilidades sociais e comportamentos na infância.
Depois do nascimento, o vínculo entre escola e família se torna decisivo e essa é uma importante parceria. Professores que dialogam com famílias têm melhores condições de adaptar práticas pedagógicas e promover um ambiente de aprendizagem seguro e coerente com as vivências da criança, assim influenciando no seu desenvolvimento e alfabetização.
É de extrema importância entender que tudo começa na gravidez para se ter um olhar mais completo sobre as necessidades e desafios que surgem na infância. Ao unir educação infantil, saúde familiar e práticas pedagógicas, fortalecemos o desenvolvimento integral da criança, desde o útero até a sala de aula. Assim, teremos crianças mais bem preparadas para serem inseridas no ambiente escolar tendo assim resultados mais satisfatórios.
(*) Luciana Brites é CEO do Instituto NeuroSaber, psicopedagoga, psicomotricista, mestre e doutoranda em distúrbios do desenvolvimento pelo Mackenzie, palestrante e autora de livros sobre educação e transtornos de aprendizagem. Instituto NeuroSaber https://