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Selo inédito vai ser transferido para o mercado de carnes premium no Brasil
A estratégia para o selo Beef on Dairy estimula os índices de touros Angus (foto acima) com vacas leiteiras das raças Holandesa e Jersey
23/01/2026 09h37
Por: Redação Fonte: Embrapa
Foto: Edu Rocha
  • O Brasil ganha seu primeiro selo Beef on Dairy, unindo genética leiteira e raça Angus para fortalecer o mercado de carne premium.      
  • A certificação inédita é fruto da parceria entre ciência e setor produtivo e segue padrões reconhecidos internacionalmente.
  • Além de fornecer carne de qualidade aos apreciadores de cortes nobres, diversifica a renda dos produtores de leite.
  • A Embrapa contribuiu com base científica para garantir o potencial genético necessário aos animais selecionados.
  • O selo já está disponível para centrais de pessoas e criadores que utilizam passeios dentro dos padrões exigidos.

 

Uma iniciativa que integra ciência e setor produtivo para qualificar o mercado de carne premium no Brasil. Desenvolvido pela Associação Brasileira de Angus , o selo Beef on Dairy é o primeiro dessa categoria no País e conta com a participação da Embrapa em sua construção técnico-científica. Essa estratégia estimula o cruzamento de vacas leiteiras das raças Holandesa e Jersey com touros Angus. O objetivo é gerar uma carne diferenciada, já muito apreciada nos mercados internacionais.

Além de fornecer carne de alta qualidade para o mercado de cortes nobres, o novo selo também tem como objetivo diversificar a renda dos produtores de leite, que ganham uma nova opção de comercialização dos animais.

O presidente da Associação Brasileira de Angus, José Paulo Dornelles Cairoli, destaca a importância dessa novidade para o mercado de carne. “É uma estratégia já consolidada em outros países e conseguimos trazê-la para o Brasil, que possui os maiores rebanhos comerciais do mundo. Nosso projeto é o casamento perfeito entre as raças. O produtor vai se beneficiar e o consumidor terá carne diferenciada. Quem já provou sabe o resultado”, afirma.

“O lançamento do selo Beef on Dairy foi possível porque há uma base científica robusta por trás dele, e essa é apenas uma contribuição da Embrapa”, afirma o chefe-geral da Embrapa Pecuária Sul (RS), Fernando Cardoso . "Nós desenvolvemos os critérios técnicos e os índices genéticos que permitem identificar, com precisão, os touros Angus mais indicados para os cruzamentos com vacas Holandesas e Jersey. É esse rigor científico que garante que o selo realmente represente animais superiores para a produção de carne de alta qualidade", destaca.

Foto: Fernando Goss (bovinos Angus)

Segundo Cardoso, o trabalho da Embrapa no Programa de Melhoramento de Bovinos de Carne ( Promebo ) desempenhou papel estratégico para dar segurança ao setor na adoção da tecnologia. “O Beef on Dairy abre um caminho importante para agregação de valor a toda a cadeia, e nossa missão é garantir que essas escolhas estejam preparadas pelo melhor conhecimento técnico disponível”, conclui.

Participação técnica da Embrapa

A estratégia Beef on Dairy, já consolidada no cenário global, começa a ganhar força no Brasil ao incentivar o uso de touros de corte em vacas de leite. Como as raças leiteiras não são naturalmente especializadas em características de carcaça, o novo selo busca identificar os touros mais adequados para esses cruzamentos. Para isso, foram criados dois selos distintos: um específico ao Jersey, que demanda maior atenção ao tamanho dos bezerros no parte devido ao porte restrito das vacas, e outro ao Holandês, que também exige características para evitar animais grandes, já que a raça é naturalmente de grande porte.

Foto: Renata Suñe (Holandesa)

A Embrapa participa diretamente da implementação do selo por meio do Promebo, o programa oficial de melhoramento genético da raça Angus no Brasil, gerenciado pela Associação Nacional de Criadores ( ANC ). Coube à instituição desenvolver e aplicar o índice técnico que orienta a seleção dos touros, identificando aqueles com melhor desempenho em crescimento, área de olho de lombo e conformação de carcaça – características essenciais para melhor rendimento frigorífico. O selo também atende a uma demanda das centrais de inseminação, já que grande parte do uso desses touros ocorre via sêmen, agregando valor ao material genético certificado.

Para Leandro Hackbart, conselheiro técnico da Angus e ANC, o selo nasce de uma demanda do próprio setor. "Nada mais fizemos do que criar parâmetros claros, garantindo transparência e segurança ao produtor de Holandês e Jersey na hora de adquirir a genética Angus. Para o consumidor, isso significa confiança e qualidade alimentar", reforçou.

 

Foto: Divulgação (bovinos leiteiros das raças Jersey e Holandesa)

 

Selo já está disponível

De acordo com o diretor-executivo da Associação Brasileira de Angus, Mateus Pivato, o Promebo já está disponibilizando o selo para as centrais de gênero e criadores que utilizam passeios com características que atendem aos padrões exigidos.

Os reprodutores com selo podem ser localizados em consulta pública do  Sistema Origen . da ANC.

 

 

 
 

Felipe Rosa (MTb 14.406/RS)
Embrapa Pecuária Sul

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