CASCAVEL (PR) — O Calçadão em frente à Catedral de Cascavel tornou-se, na manhã deste sábado (24), palco de um intenso debate sobre a conjuntura internacional e seus reflexos no Cone Sul. Cerca de 150 pessoas de diversos municípios da região participaram do ato convocado pelo Comitê em Defesa da Palestina e da América Latina, unificando vozes em apoio à autodeterminação dos povos e contra o intervencionismo estrangeiro.
Iniciada às 9h30, a atividade transformou o espaço público em um fórum que uniu análise técnica e intervenções culturais. Músicas e poesias latino-americanas deram o tom do evento, servindo de moldura para as denúncias e reflexões políticas apresentadas por lideranças sindicais e acadêmicos.
Análise de Conjuntura: Venezuela e o cenário internacional
A escalada de tensão na Venezuela foi um dos temas centrais, com foco no recente sequestro de Nicolás Maduro por forças ligadas ao governo de Donald Trump (EUA). Os pesquisadores Francis Guimarães e Alfonso Klein destacaram que o ato viola o direito internacional e integra uma estratégia de desestabilização regional. O objetivo, segundo as análises, seria garantir o controle de recursos estratégicos, como o petróleo, ponto que tem sido recorrente nos pronunciamentos públicos da Casa Branca nas últimas semanas.
Palestina: Realidade humanitária e geopolítica
A situação na Faixa de Gaza também foi detalhada por Haula Habah, representante da Federação Árabe-Palestina no Brasil. A militante denunciou que, na prática, a realidade de extermínio e cerco humanitário permanece inalterada, contestando a eficácia dos acordos de cessar-fogo propagandeados. A articulação política local vê uma conexão direta entre o que ocorre em Gaza e na Venezuela, definindo ambos como "laboratórios de repressão" acionados quando interesses das elites do Norte Global são colocados em risco.
Balanço e Mobilização Popular
O ato foi avaliado como um espaço essencial de conscientização popular e formação política. Para as entidades e mandatos que organizaram a jornada, o objetivo de dialogar com a população sobre os riscos do intervencionismo e a defesa dos direitos humanos foi plenamente alcançado. Às 12h, os participantes encerraram a atividade reafirmando o papel da organização popular no Oeste do Paraná como ferramenta de defesa da autonomia dos povos e da paz.
Entidades e Mandatos que apoiaram a organização do ato: