- Resultado de mais de 18 anos de pesquisa, a BRS Pérola surge como nova opção de uva branca sem sementes para produtores da Região Sul.
- Uma nova cultivar também de alta produtividade, com potencial de até 30 toneladas por hectare, à facilidade de manejo com a técnica de cobertura plástica, também chamada de cultivo protegido.
- As mudanças já podem ser reservadas com viveiristas licenciados pela Embrapa.
- DA BRS Pérola será lançada em 19 de fevereiro, durante dia de campo em Alto Feliz, RS.
- A cultivar se soma às demais variedades desenvolvidas pela Embrapa na Região e amplia a oferta de uvas para consumo in natura.
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A Embrapa apresenta o setor produtivo da Região Sul a BRS Pérola , nova cultivar de uva branca sem sementes, que também apresenta alta produtividade à facilidade de manejo. Avaliações realizadas na Serra Gaúcha e em Santa Catarina, em parceria com a Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina ( Epagri ), indicam potencial produtividade de até 30 toneladas por hectare com o uso de cobertura plástica, técnica também conhecida como cultivo protegido. A novidade amplia as alternativas para consumo in natura na Região, ao lado das cultivares BRS Vitória , BRS Isis e BRS Melodia .
O pesquisador da Embrapa Uva e Vinho (RS) João Maia explica que na Região Sul existe um espaço importante de produção de uvas de mesa do tipo fino, tanto para o comércio nas propriedades como em pequenos estabelecimentos. Soma-se a isso a demanda por uma cultivar branca sem sementes que possa substituir parcialmente a tradicional Itália, com sementes. "O aumento do turismo rural e do enoturismo vem estimulando os investimentos no plantio de uvas de mesa para venda na propriedade, no sistema “colha e pague". Consegue-se, assim, ampliar os lucros com a venda direta aos consumidores", comenta.
Lançamento A cultivar BRS Pérola será lançada em 19 de fevereiro, durante dia de campo na propriedade do produtor Jair Freiberger, em Alto Feliz, RS, e também durante a tradicional Festa da Uva , realizada no município de Caxias do Sul, RS. |
Maia complementa que os produtores buscam ter um portfólio diversificado de uvas para atender os consumidores, mas que também fica atento a algumas características das cultivares, como produtividade e facilidade no manejo. Os bagos da BRS Pérola são semelhantes aos tradicionais Thompson Seedless, referência no mercado de uva branca sem sementes produzidas no Vale do São Francisco. Suas características de destaque incluem a forma alongada, a textura crocante e firme, e o sabor neutro com equilíbrio entre açúcares e acidez.
A pesquisadora Patrícia Ritschel ( foto à esquerda ), uma das coordenadoras do programa Uvas do Brasil , destaca como um dos principais atrativos da BRS Pérola é que os cachos são mais soltos (baixa compacidade), o que facilitam a realização do raleio e reduzem a demanda por mão de obra. “As plantas apresentam boa fertilidade de gemas em varas médias e isso permite alcançar produtividades entre 25 a 30 toneladas de uvas por hectare, com o emprego da poda mista”, pontua.
Em seu terceiro ano de produção da BRS Pérola, o viticultor Jair Freiberger ( foto à direita ), que foi um dos validadores da nova cultivar, está muito satisfeito e aposta que uma nova uva será um grande sucesso entre os consumidores. "Ela é uma opção muito interessante e que traz três grandes diferenciais que tenho certeza que vão fazer sucesso. A baga mais alongada, a coloração amarelo vivo e a crocância conquistando os clientes", avalia. Atualmente, seu parreiral de quase um hectare, no município de Alto Feliz, RS, é composto por diferentes uvas que atraem os consumidores no sistema de “colha e pague”. Ele acredita que os consumidores jovens trocarão a uva tradicional Itália pela BRS Pérola por ela não ter sementes.
Para o chefe-geral da Embrapa Uva e Vinho, Adeliano Cargnin, o lançamento é mais uma entrega que reforça o compromisso da Embrapa com a geração de soluções tecnológicas com impacto direto no campo. “A BRS Pérola será uma alternativa para a Serra Gaúcha, capaz de agregar valor à produção, fortalecer a viticultura de mesa e reafirmar o papel da ciência pública como instrumento de desenvolvimento, inovação e sustentabilidade para a agricultura brasileira”, avalia.
Fotos: Viviane Zanella (pesquisadora Patrícia Ritschel) e Arquivo pessoal (viticultor Jair Freiberger)
Foto: Viviane Zanella Um BRS Pérola Resultado de cruzamentos genéticos realizados em 2004, a BRS Pérola passou por uma série de testes e validações que permitiram definir um sistema de produção para a região Sul do Brasil. Uma cultivar não é recomendada para a região do Semiárido Brasileiro. Na região da Serra Gaúcha, os bagos da cultivar apresentam tamanho grande, de cerca de 18 milímetros (mm) de diâmetro, após aplicação de ácido giberélico (hormônio vegetal que estimula o crescimento e o desenvolvimento das plantas), com forma elipsoide fino e comprido, de cor branca, película de espessura média, polpa incolor, textura moderadamente firme, sabor neutro, com traços rudimentares de semente de tamanho minúsculo. A duração do ciclo desde o início da brotação até o final da maturação, sob cobertura plástica, foi de 170 dias, com colheita em fevereiro. Portanto, a cultivar BRS Pérola se caracteriza como uma cultivar de ciclo médio na Região Sul do País. Foto: Patrícia Ritschel |
Recomendações para o cultivo A BRS Pérola é recomendada para cultivo na região da Serra Gaúcha, em sistema de latada, com espaçamento de 2,50 metros entre filas e 2,00 metros entre plantas, sobre o porta-enxerto Paulsen 1103, e com cobertura plástica. “O uso da cobertura é fundamental para garantir a produção de uvas de mesa de qualidade na Região Sul.”, observa Patrícia. Ela complementa que a recomendação é para a adoção da poda mista e que os detalhes sobre a formação da planta estão disponíveis na Circular Técnica da BRS Pérola . Pesquisador João Dimas Garcia Maia fala sobre a BRS Pérola |
Mais uma alternativa de uva de mesa para os viticultores A Embrapa desenvolve um conjunto de cultivares de uvas de mesa sem sementes adaptadas ao cultivo protegido. Conheça as opções: BRS Isis : A BRS Isis é uma cultivar de uva sem sementes, de cor vermelha e sabor neutro e agradável. Ela é tardia, o que contribui para aumentar o período de colheita. Destaque para o fato de não ser necessária a aplicação de ácido giberélico quando é produzido no Sul do país. A BRS Isis é bastante vigorosa e a alta fertilidade das gemas permite obter produtividade de 25 a 30 toneladas por hectare/ano. BRS Melodia ( foto à direita ): A BRS Melodia se destaca pela sua cor rosada e sabor tutti-frutti e frutas vermelhas, que lembra o morango. É uma uva crocante e de casca fina, fácil de mastigar. A cultivar apresenta alta tolerância à antracnose e tolerância média ao míldio, ao oídio e aos podridões de cacho. Cultivada sob cobertura plástica, seu manejo é mais simples em comparação às variedades do grupo Itália. Para obter uvas com qualidade, deve-se ajustar a produtividade para 25 toneladas por hectare, usar reguladores de crescimento para aumentar o tamanho dos bagos e melhorar a expressão da cor. BRS Vitória : A BRS Vitória é uma uva de mesa de coloração preta e sem sementes, com sabor framboesa, de ciclo precoce. O manejo exige raleio de bagos e uso de ácido giberélico para garantir o desenvolvimento dos bagos. Sem a aplicação de ácido giberélico os bagos ficam menores e mais doces. A BRS Vitória é a principal uva sem sementes produzida no Brasil, que conquistou tanto o mercado interno quanto o externo. Foto: Juliana Leite |
Mudas da BRS Pérola A nova cultivar será comercializada inicialmente pelos viveiros licenciados Viecelli Viveiros (Videira - SC) e MP Mudas (Vacaria - RS), que já estão recebendo pedidos para a produção das mudas em 2026. Outros viveiristas licenciados já podem adquirir material básico dessa cultivar a partir de reservas junto à Estação Experimental de Canoinhas/SC pelo e-mail cpact.eecan@embrapa.br ou pelo telefone (47) 3627-4199. As reservas deverão ser realizadas entre os meses de abril e junho e a entrega ocorrerá a partir da segunda quinzena de julho até meados de agosto. Os produtores específicos de cultivar precisam possuir jardim clonal de porta-enxertos formados a partir de material básico da Embrapa. “Para que a qualidade sanitária da cultivar seja mantida é recomendado a sua enxertia em porta-enxertos com origem sanitária reconhecida”, afirma Daniel Grohs , agrônomo da Embrapa Uva e Vinho e responsável pelo Programa de Mudas de Qualidade. Já para os viticultores, a Grohs orienta que o pedido de reserva de mudas na Região Sul ocorre com um ano de antecedência, uma vez que são produzidos sob encomenda pelos viveiristas. “O plantio das videiras deve acontecer na primavera, pois são mudas do tipo “raiz nua” (fora de substrato e em estágio de dormência)”, esclarece. Ele destaca ainda a importância de os viticultores verificarem a qualidade da muda, primeira garantia para garantir boa produtividade. "Os viveiristas licenciados são capacitados para a produção de mudas dentro de um padrão de qualidade, mas o viticultor deve estar atento à muda que recebe. É importante sacrificar pelo menos uma muda, preferencialmente com o acompanhamento do viveirista, para a análise visual do padrão de qualidade", diz. Clique aqui para conhecer o padrão de qualidade. Foto : Patrícia Ritschel |