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Diretor-geral da Itaipu defende integração entre economia e sustentabilidade em aula magna na UEM
Enio Verri falou sobre “O Desenvolvimento Econômico Sustentável no Brasil”, nesta segunda-feira (23), em Maringá
24/03/2026 14h30
Por: Redação Fonte: Itaipu
Fotos: Eloá Costa/Itaipu Binacional.

O diretor-geral brasileiro da Itaipu Binacional, Enio Verri, afirmou que não é mais possível pensar o desenvolvimento econômico dissociado da sustentabilidade ambiental e da inclusão social. A declaração foi feita durante a aula magna do curso de Ciências Econômicas da Universidade Estadual de Maringá (UEM), realizada na noite desta segunda-feira (23), no campus da instituição.

Com o tema “O Desenvolvimento Econômico Sustentável no Brasil”, Verri destacou que a crise climática deixou de ser uma projeção futura para se tornar uma realidade concreta, com impactos já visíveis no cotidiano da população. “Não é mais uma questão de previsão. A crise está posta e exige adaptação imediata”, afirmou, ao citar eventos extremos como secas prolongadas e enchentes em diferentes regiões do país.

Segundo o diretor, a resposta a esse cenário passa pela transição energética, com a substituição gradual de fontes fósseis por energias limpas. No entanto, ele ressaltou que o principal desafio global está no financiamento dessa mudança. “Todos reconhecem a necessidade da transição, mas a grande discussão é quem vai pagar essa conta, especialmente nos países em desenvolvimento”, observou.

Palestra do diretor-geral da Itaipu lotou auditório da UEM.

Verri também chamou atenção para o caráter desigual da crise climática, que atinge com mais intensidade as populações mais vulneráveis. “Ela tem classe social. Afeta mais quem vive em áreas de risco, nas periferias e nos países do Sul Global”, disse.

Durante a palestra, o diretor defendeu um novo conceito de desenvolvimento, que integre as dimensões econômica, social e ambiental. “Se não for sustentável, não é desenvolvimento”, resumiu, ao destacar a necessidade de incorporar essa visão na formação dos futuros economistas.

Verri apontou o Brasil como uma referência internacional no cenário energético, com uma matriz majoritariamente limpa, e reforçou o papel estratégico das hidrelétricas, especialmente da usina de Itaipu, para a segurança energética nacional. “As fontes como solar e eólica são fundamentais, mas são intermitentes. A hidrelétrica garante a energia firme, funcionando como uma espécie de bateria do sistema”, explicou.

O diretor também enfatizou o potencial do país para liderar a economia verde, tanto na atração de investimentos quanto na exportação de tecnologia, citando iniciativas de inovação, como os estudos da Binacional e do Itaipu Parquetec para o desenvolvimento do biogás e do biometano, do hidrogênio verde e do SAF, o combustível sustentável da aviação.

Ao final, o Verri ressaltou que, embora o Brasil esteja avançando, a solução para a crise climática depende de um esforço global coordenado. “O país está no caminho certo, mas não resolve o problema sozinho. Se as grandes economias não avançarem na transição energética, teremos dificuldades para garantir o futuro do planeta”, concluiu.