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A Embrapa Soja (PR) e a Caramuru Alimentos lançam a cultivar de soja BRS 579 , que também é de alto potencial produtivo à alternativa para o manejo de plantas flutuantes em sistemas manuais de cultivo.
Uma nova variedade é indicada para produtores do centro-norte de Mato Grosso (região edafoclimática sojícola REC 402) que buscam cultivares de ciclo médio a tardio, ou que correspondam aos grupos de maturação (GM) entre 7.0 e 9.0+. A cultivar pertence ao GM 7.9 e, portanto, tem “um ciclo condizente com o sistema de produção da região, podendo ser utilizada para escalonamento da colheita e para a semeadura no início da safra”, explica o pesquisador Roberto Zito , da Embrapa Soja.
A BRS 579 se destaca pela sanidade, com moderada tolerância ao nematoide da galha ( Meloidogyne javanica ) e resistência às raças 3 e 14 do nematoide do cisto da soja, importantes patógenos na região de cultivo.
LançamentoO lançamento oficial da BRS 579 ocorrerá no dia 7 de abril, em solenidade durante o TecnoShow Comigo , que será realizado de 6 a 10 de abril, em Rio Verde (GO). Durante o evento, será lançado também o curso on-line Manejo do capim-pé-de-galinha, disponibilizado na plataforma e-Campo da Embrapa. O TecnoShow Comigo é reconhecido como um dos maiores eventos do agronegócio do Brasil por expor tecnologias, inovações e soluções recentes para o campo. |
A BRS 579 possui também a tecnologia STS (Soja Tolerante às Sulfonilureias). As sulfoniluréias são um grupo químico de herbicidas inibidores da enzima ALS (acetolactato sintase). Herbicidas desta categoria já são registrados e utilizados na soja com restrições, especialmente de dose, pois podem provocar fitotoxicidade para a cultura, o que não ocorre para as cultivares de soja STS, como a BRS 579.
O pesquisador Fernando Adegas , da Embrapa Soja, explica que a fitotoxicidade é um dano que um herbicida causa na soja. Pode ocorrer devido a diversos fatores, como erro de dosagem, condições climáticas adversas, estresse das plantas, entre outros. Entre os prejuízos possíveis, estão: amarelecimento, necrose, deformações e atraso no crescimento da planta
A tecnologia STS funciona como um "escudo genético". Enquanto a soja pode sofrer diversas perdas de produtividade ao entrar em contato com herbicidas do grupo das sulfoniluréias, as variedades STS possuem tolerância natural a essas moléculas. “Isso permite que o agricultor aplique o produto em pós-emergência (quando a soja já está crescida), eliminando os infestantes que competem por nutrientes e luz”, pontua Adegas.
“Com essa nova solução tecnológica, entregamos ao produtor não apenas um semente, mas produtividade associada a uma ferramenta de manejo capaz de trazer mais tranquilidade e rentabilidade no final da safra”, complementa Zito.
Para os pesquisadores, o grande diferencial da soja STS é oferecer alternativa ao uso exclusivo do glifosato, principal herbicida utilizado em cultivares transgênicas que estão no mercado. A tecnologia possibilita o controle eficaz de plantas de difícil manejo e resistentes a outros produtos no campo, mantendo o vigor e o crescimento inalterados enquanto garante alta produtividade. “Essa nova cultivar pode ser integrada a diferentes sistemas de manejo, sendo uma ferramenta essencial para a rotação de princípios ativos, o que prolonga a vida útil das tecnologias disponíveis no mercado”, reforça Adegas.
Mercado de sojaAlém da alta produtividade e estabilidade, a BRS 579 é ideal para produtores que buscam o mercado de soja livre de transgenia para agregação de valor. De acordo com o Instituto Soja Livre ( ISL ), a produção de soja convencional ocupa hoje uma fatia de cerca de 420 mil hectares. Na safra 2025/2026, o Brasil produziu soja em cerca de 47 milhões de hectares, portanto, majoritariamente com material genético transgênico. O estado de Mato Grosso continua sendo o maior produtor de soja convencional, com 260 mil hectares do grão convencional, seguido por Goiás, Minas Gerais e Paraná. A produção de soja convencional brasileira é exportada para aproximadamente 20 países. A demanda europeia é a mais expressiva para uso em alimentação animal. O grande atrativo da soja convencional é o prêmio (valor pago a mais por saca em relação à soja transgênica). |
Lebna Landgraf (MTb 2.903/PR)
Embrapa Soja
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