Agronegócio Embrapa
Trigo: novas cultivares da Embrapa ampliam perspectivas de expansão da triticultura no Cerrado
O papel da pesquisa e da tecnologia desenvolvida pela instituição, somada ao trabalho técnico da cooperativa, para garantir qualidade e competitividade ao setor.
25/05/2026 08h14
Por: Redação Fonte: Embrapa
Ele destacou o papel da pesquisa e da tecnologia desenvolvida pela instituição, somada ao trabalho técnico da cooperativa, para garantir qualidade e competitividade ao setor.

A Embrapa lançou nesta quarta-feira (20), durante a AgroBrasília 2026 , duas novas cultivares de trigo desenvolvidas para cultivo em ambiente tropical: a BRS Savana , voltada ao sistema de sequeiro e com elevada resistência à brusone, e a BRS Cracker , primeira cultivar de trigo tropical desenvolvida para atender à indústria de biscoitos.

As novas cultivares representam um avanço importante para a expansão da triticultura no Cerrado. A expectativa da Embrapa é contribuir para ampliar a área cultivada com trigo na região dos atuais 400 mil hectares para um milhão de hectares nos próximos dez anos. Os materiais são frutos de mais de 40 anos de pesquisas pesquisados ​​em parceria entre a Embrapa Cerrados (Planaltina-DF) e a Embrapa Trigo (Passo Fundo-RS).

A cultivar BRS Cracker foi desenvolvida para atender à demanda dos moinhos por uma farinha específica para produção de biscoitos, segmentos que exigem baixa força de glúten. "Historicamente, os programas de melhoramento da Embrapa priorizavam cultivares destinadas à panificação, normalmente com alta força de glúten. A partir da demanda apresentada pelo setor moageiro, passamos a buscar um material voltado para esse nicho de mercado", explicou o pesquisador da Embrapa Cerrados, Julio Albrecht.

Segundo ele, a BRS Cracker é uma seleção realizada dentro da cultivar BRS 264, uma das mais plantadas no Cerrado devido ao elevado potencial produtivo e à qualidade industrial para produção de pão. "A nova cultivar mantém a forte genética base da BRS 264, mas apresenta menor força de glúten, característica ideal para a fabricação de biscoitos. Além disso, possui alto potencial produtivo, podendo alcançar entre oito e nove toneladas por hectare em sistema irrigado, além de boa resistência à brusone, principal doença que limita a expansão do trigo no Brasil Central", afirmou.

Já a BRS Savana, segundo o pesquisador, foi desenvolvida considerando os impactos das mudanças climáticas e da redução das chuvas no Cerrado. De acordo com Albrecht, a irregularidade das precipitações e a diminuição da umidade do solo excluem cultivares mais rústicas e adaptadas às condições adversas. “A nova variedade apresenta tolerância ao calor e resistência à seca, características estratégicas para a sustentabilidade da produção de trigo em sequeiro na região”, destacou.

Além da adaptação climática, a BRS Savana também apresenta elevado potencial produtivo, podendo atingir entre quatro e cinco toneladas por hectare em sistemas de sequeiro, aliado à boa resistência à brusone. “Esse lançamento busca oferecer maior segurança produtiva aos agricultores diante dos desafios climáticos enfrentados no Cerrado”, enfatizou.

Albrecht acrescentou que o trabalho de melhoramento genético continuará avançando, com novas cultivares em desenvolvimento tanto para sistemas irrigados quanto para sequeiro. Segundo ele, a parceria entre Embrapa Cerrados e Embrapa Trigo será fundamental para gerar soluções tecnológicas capazes de fortalecer a triticultura brasileira diante das demandas do mercado e das mudanças climáticas.

Lançamento reuniu pesquisadores e produtores 

O lançamento das novas cultivares foi realizado no estande da Embrapa, na AgroBrasília 2026. Na ocasião, o chefe-geral da Embrapa Cerrados, Jorge Werneck, destacou que as novas cultivares de trigo representam mais um resultado do trabalho conjunto entre a Embrapa e parceiros do setor produtivo. “O desenvolvimento de novas tecnologias busca ampliar as opções disponíveis aos produtores, permitindo maior adequação dos materiais aos diferentes sistemas de produção, às condições climáticas e às realidades regionais”, afirmou. 

Werneck também enfatizou a importância da parceria com os produtores rurais no processo de validação das tecnologias no campo. “Muitos agricultores participaram diretamente das coletas dos materiais em condições reais de cultivo, contribuindo para o aprimoramento das cultivares e para a consolidação de soluções mais adequadas às demandas da triticultura brasileira”.

Já o chefe-geral da Embrapa Trigo, Jorge Lemainski, destacou o potencial estratégico das novas cultivares de trigo desenvolvidas para o Cerrado. Segundo ele, atualmente, parte do trigo destinado a esse mercado ainda precisa ser importado de países como Estados Unidos e Canadá, mas a expectativa é que os produtores do Cerrado passem a suprir essa demanda nacional.

Lemanski ressaltou o crescimento da triticultura no Cerrado. A região, que já representa apenas 10% da área nacional de trigo, alcançou 16% da produção brasileira em 2023, com mais de 1,3 milhão de toneladas produzidas e expansão da área cultivada de 200 mil para 400 mil hectares entre 2021 e 2023. Segundo ele, o cenário de redução das chuvas no Brasil Central favorece a inserção do trigo na segunda safra, em tração com culturas como soja, milho, algodão e sorgo, benefícios. agronômicos, como o controle de plantas invasoras.

O vice-presidente da Coopa-DF, Leandro Maldaner, destacou a importância da parceria com a Embrapa para o fortalecimento da cadeia do trigo no Cerrado e para a produção de farinhas de alta qualidade destinadas ao mercado consumidor. Segundo ele, um dos diferenciais do moinho da cooperativa é a utilização de trigo sem adição de melhoresadores químicos na produção de farinhas para pães e massas.

Maldaner explicou que a indústria utiliza uma mistura das cultivares BRS 254 e BRS 264, fabricadas pela Embrapa, em produtos como pães, massas, lasanhas e salgados. De acordo com ele, apenas ferro e ácido fólico são adicionados à farinha, conforme exigência legal, enquanto o restante da qualidade do produto é resultado exclusivamente das características do trigo cultivado e moído. 

O dirigente afirmou que essa característica representa um motivo de orgulho para a cooperativa e atribuiu à parceria de longa data com a Embrapa parte das previsões da indústria moageira da Coopa-DF. Ele destacou o papel da pesquisa e da tecnologia desenvolvida pela instituição, somada ao trabalho técnico da cooperativa, para garantir qualidade e competitividade ao setor.

Durante a fala, Maldaner também reforçou o potencial do Cerrado para a expansão da produção nacional de trigo. Para ele, a região representa a principal fronteira agrícola para que o Brasil avance rumo à autossuficiência no cereal. O vice-presidente ainda parabenizou a Embrapa pelo desenvolvimento de novas cultivares, tanto à panificação quanto ao segmento de biscoitos, ampliando as possibilidades de mercado para os produtores da região.

Por fim, o produtor Paulo Bonato, associado da Coopa-DF, destacou o papel da Embrapa no desenvolvimento da triticultura no Cerrado e afirmou que o futuro promissor da cultura na região é resultado direto do trabalho de pesquisa conduzido pela instituição. Ele ressaltou também a importância da cooperativa na multiplicação e disseminação das cultivares desenvolvidas pela Embrapa, o que contribui para que o trigo produzido no Cerrado passe a ser cada vez mais reconhecido internacionalmente pela qualidade. 

Sobre os lançamentos, Bonato afirmou que a expectativa é de que as novas cultivares tragam ainda mais benefícios para produtores, consumidores e para a economia brasileira. “A expansão da produção nacional pode contribuir para reduzir a dependência das importações de trigo, fortalecendo a economia interna, gerando prosperidade para o setor produtivo e ampliando a oferta de farinha de qualidade para a população brasileira”.

Para mais informações sobre as novas cultivares, acesse: https://www.embrapa.br/trigo/tecnologias/trigos-lancamento-cerrados .

 
 

Juliana Caldas (MTb 4861/DF)
Embrapa Cerrados

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