Geral Embrapa
Projeto estratégico vai acelerar soluções de transição energética a partir da agricultura
Canola tropicalizada, em apoio a rotas para biodiesel, diesel renovável e combustível sustentável de aviação (SAF), é uma das frentes do projeto
26/05/2026 10h55
Por: Redação Fonte: Embrapa
Foto: Bruno Laviola
  • Os recursos da Finep serão usados ​​para modernizar e ampliar a infraestrutura de pesquisa, desenvolvimento e inovação da Embrapa e instituições parceiras, em um modelo multiusuário.
  • Com duração de três anos, o projeto prevê 10 metas externas ao desenvolvimento de tecnologias de energia renovável e insumos de base biológica.
  • Denominado Bioinova, o projeto adota uma abordagem integrada de economia circular em biorrefinarias tropicais.
  • A proposta é aproveitar os resíduos da cadeia de biocombustíveis para reduzir as emissões associadas à produção de biomassa.
  • A expectativa é ampliar o portfólio de tecnologias para energia pública renovável, além de orientar políticas e estratégias setoriais.

 

 

Cinco unidades de pesquisa da Embrapa – Embrapa Agroenergia (DF), Embrapa Agroindústria Tropical (CE), Embrapa Milho e Sorgo (MG), Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia (DF) e Embrapa Trigo (RS) – integram capacidades para desenvolver soluções científicas que ampliem a contribuição da agricultura brasileira na descarbonização da economia. O desafio central é investir em ações de pesquisa, desenvolvimento e inovação (PD&I) para transformar biomassa e resíduos agroindustriais em energia, combustíveis renováveis ​​e insumos de base biológica, com ganhos ambientais e de competitividade.

Essa estratégia institucional em rede, estruturada e liderada pela Embrapa Agroenergia, faz parte do projeto “Centro temático para desenvolvimento de soluções integradas à transição energética a partir da agricultura” (Bioinova), que conta com aporte de R$ 14 milhões da Financiadora de Estudos e Projetos ( Finep ) para modernizar o parque de equipamentos e fortalecer a infraestrutura da Embrapa. A iniciativa, com duração de 36 meses, visa atingir 10 metas ( saiba mais em quadro nesta matéria ) voltadas à geração de tecnologias para produção sustentável de energia e materiais renováveis

Segundo o chefe de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa Agroenergia, Bruno Laviola , o Bioinova é estratégico pela integração de competências de cinco unidades para enfrentamento de desafios reais da transição energética. Além das 10 metas técnicas, o projeto prevê modernizar e ampliar a infraestrutura multiusuária da Empresa. “Com isso, vamos aumentar a nossa capacidade de gerar evidências, qualificar processos e acelerar a entrega de soluções em rotas como combustível sustentável de aviação (SAF), biohidrogênio, biometano, etanol e em tecnologias associadas ao desenvolvimento de materiais-primas e bioinsumos”, diz.

Laviola explica que a Bioinova funciona com uma lógica integrada de economia circular em biorrefinarias tropicais. A ideia é aproveitar resíduos da própria cadeia de biocombustíveis para reduzir emissões na produção das biomassas projetadas no projeto. “Essas biomassas, por sua vez, podem gerar novos biocombustíveis e bioprodutos mais sustentáveis, buscando reduzir emissões e ampliar a sustentabilidade em toda a cadeia”, complementa.

O líder do projeto e pesquisador da Embrapa Agroenergia Guy de Capdeville pontua que, para o alcance das metas, a Bioinova atuará em diferentes frentes para ampliar as matérias-primas e rotas de conversão e produzir bioinsumos para nutrição, bioestimulação e controle de interesse energético. Para isso, o projeto vai contemplar áreas sujeitas a estresses abióticos, secura e salinidade e ferramentas de sustentabilidade, inteligência e biotecnologia avançada, além da previsão econômica de tudo isso.

Fotos acima: Freepik

Atuação em rede

A Bioinova vai mobilizar grande parte das equipes técnicas das cinco unidades da Embrapa envolvidas. "Estamos ampliando sinergias e o nosso potencial de entrega de soluções para o setor produtivo e para a sociedade. O Bioinova foi concebido para acelerar soluções integradas e aplicáveis, conectando o campo às rotas tecnológicas de biocombustíveis e bioprodutos. Além de gerar resultados científicos e tecnológicos, o projeto fortalece a infraestrutura necessária para responder aos desafios atuais e futuros da transição energética", destacou Capdeville.

 

Dez metas com foco em biocombustíveis avançados, bioinsumos e sustentabilidade

Entre as principais frentes previstas no projeto, destaca-se o desenvolvimento de:

● Canola tropicalizada para ampliar a oferta sustentável de óleo e apoiar rotas para biodiesel, diesel renovável e combustível sustentável de aviação (SAF);

● Três bioinsumos provenientes de resíduos agroindustriais, contribuindo para redução de emissões e maior eficiência produtiva;

● Microbiomas semiartificiais (engenharia de microbiomas) e de um processo agropecuário para sustentável de biomassa voltado para bioenergia em áreas marginais de produção sujeitas a estresses hídricos e salinos;

● Composto derivado de lignina (a partir de resíduos agroindustriais) para uso agrícola;

● Processos para produção de etanol a partir de matérias-primas amiláceas, ampliando alternativas e diversificação;

● Processos para produção de biohidrogênio e biometano via biodigestão, visando aumentar a disponibilidade de energia para pequenas e médias propriedades;

 

Processo para obtenção de hidrocarbonetos utilizáveis ​​como SAF a partir de óleos, incluindo canola e macaúba;

● Avaliação de sustentabilidade ambiental e econômica, inventários e modelagem para estimar impactos das tecnologias desenvolvidas no projeto;

● Implementação de uma plataforma multifuncional com biologia integrativa, inteligência artificial e biotecnologias para acelerar soluções em culturas energéticas e alimentos específicos para bioinsumos.

● Obtenção de extratos biocidas de baixa transmissão específica ao controle de nematóides em cultivos associados à bioenergia.

Fotos: Bruno Laviola (canola) e Simone Favaro (macaúba)

Modernização de equipamentos e ganhos estruturantes

Além das entregas técnicas, a Bioinova prevê aquisição e atualização de equipamentos estratégicos para ampliar a capacidade experimental e analítica, apoiar rotas de conversão e aumentar a robustez das evidências de desempenho e sustentabilidade. A infraestrutura terá caráter multiusuário, ampliando o alcance institucional e a capacidade de atender demandas de projetos internos, parcerias e cooperação técnico-científica.

Para viabilizar os trabalhos, Capdeville adianta que a contratação de pessoal também esteja entre as especificações do projeto. “Pelo menos 30 outros profissionais, de graduação e pós-graduação e cientistas já formados exclusivamente entre as contratações”, reforça. 

Além de apoio para manutenção da infraestrutura já existente, serão disponibilizados recursos para pesquisas em campo e para compra e manutenção de equipamentos. "Sabemos o quanto é importante trabalharmos com garantias tanto para aquisição quanto para manutenção ao longo de três anos de projeto. Trata-se de um projeto amplo, que foca não apenas na infraestrutura da Embrapa, mas também de parceiros", destaca o pesquisador.

Laviola endossa que a atualização da infraestrutura é segura para reduzir o ritmo de desenvolvimento, qualificar resultados e acelerar a conexão com o setor produtivo.

Energia renovável, baixo carbono e competitividade

A expectativa é ampliar o portfólio de soluções da Embrapa em biocombustíveis avançados (incluindo SAF), biogás e biometano, bioinsumos e novos materiais-primas, de forma a contribuir para a descarbonização de cadeias agroenergéticas; diversificar fontes renováveis ​​e reduzir riscos de fornecimento; com maior competitividade e previsibilidade para investimentos em rotas industriais, além de apoio técnico e científico a políticas públicas e estratégias setoriais.

"Ao final, esperamos entregar um conjunto consistente de processos e tecnologias, com evidências de desempenho e sustentabilidade avaliadas por meio de modelagens dos impactos econômicos e ambientais e de ciclo de vida das tecnologias geradas ao longo do projeto. Essas informações nos permitirão apoiar decisões de investimento, formular políticas públicas, aprimorar cadeias produtivas e ampliar o papel da agricultura na oferta de energia renovável e de baixo carbono", conclui Capdeville.

Foto: Felipe Carvalho (Biorreator para SAF — Combustível Sustentável de Aviação)

 
 

Cristiane Vasconcellos (MTb 1.639/CE)
Embrapa Agroenergia

Consultas da imprensa
agroenergia.imprensa@embrapa.br