O deputado Zeca Dirceu (PT-PR) adiantou nesta sexta-feira, 29, que vai denunciar o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) por espalhar fakes news que impediram as investigações e possibilitaram o recrudescimento dos golpes praticados por facções criminosas no País.
"Nós vamos para cima do Nikolas Ferreira dentro dos espaços da Câmara dos Deputados, dentro das possibilidades que o regimento coloca: Conselho de Ética, CPI, corregedoria, denúncia ao procurador-geral da República. Nós não iremos poupá-lo", disse Zeca Dirceu à respeito do vídeo impulsionado pelo deputado mineiro em janeiro deste ano e que impediu o controle da Receita Federal sobre as grandes transações financeiras.
A megaoperação da Polícia Federal identificou 40 fundos de investimentos, com patrimônio de R$ 30 bilhões, controlados pelo PCC. As operações aconteciam, segundo as investigações, no mercado financeiro de São Paulo, através de membros da facção criminosa infiltrados na Avenida Faria Lima. “É mais uma ação acertada do presidente Lula, do governo federal, do ministro Fernando Haddad (Fazenda), do ministro Ricardo Lewandowski (Segurança Pública e Justiça) e da Polícia Federal, que atingiu em cheio o corpo financeiro do PCC, do crime organizado", disse o petista.
Crime organizado
Zeca Dirceu classificou como irresponsável e inconsequente o vídeo espalhado pelo deputado mineiro em janeiro de 2025, período em que a Polícia Federal, governo federal e a Receita Federal propunham criar normas mais rígidas sobre as transações financeiras. "Já havia indícios, é claro, da estrutura financeira do PCC operando no país, à margem da lei", disse..
"Esse deputado bolsonarista se utilizando das Big Techs, de uma repercussão muito estranha, grandiosa, que houve naquele momento. Acabou passando mentiras, fake news, em relação ao Pix, em relação às fintechs, impedindo que uma investigação mais aprofundada e informações mais precisas fossem obtidas", apontou Zeca Dirceu.
O governo federal, explica Zeca Dirceu, busca há muito tempo formas de acompanhar as movimentações financeiras no País. "E não é de agora que o ministro Haddad, que o secretário da Receita Federal (Robinson Barreirinhas), que funcionários da Receita Federal deixaram claro que isso (as normativas) era, sim, para buscar o dinheiro do crime organizado".
"Neste debate após esta megaoperação, cabe uma pergunta: por que o Bolsonaro em quatro anos não tomou uma única atitude para combater o PCC, para combater o crime organizado? Por que o (Sérgio) Moro, como ministro da Justiça, não fez uma ação como essa que agora o Brasil está vendo acontecer com muito sucesso?", questionou.
Desafio
O mérito do sucesso da operação, segundo o deputado, é do presidente Lula, do governo federal, da Polícia Federal, do Ministério Público e das polícias "Foi uma ação grandiosa, a maior da história em todo o Brasil"
O deputado entende ainda que a operação mostra ainda que a própria roubalheira no INSS foi criada e vicejou nos quatro anos do governo Bolsonaro. "Fica mais uma vez, como foi a própria crise do INSS, toda a roubalheira que houve contra os aposentados, a marca da conivência, da omissão, da incompetência do que foram os quatro anos do governo Bolsonaro. Repito: período em que nada foi feito".
"Desafio o bolsonarista mais fanático a mostrar uma única ação da Polícia Federal, uma atitude do governo dele, do ponto de vista da Receita Federal, da fiscalização, da punição de todas as fraudes, de toda a omissão que houve na circulação de valores que agora a gente toma conhecimento, na casa dos bilhões”, completou.
(foto: Gabriel Paiva/PT na Câmara)