
Em um discurso firme, mobilizador e apoiado em leituras da conjuntura política, o deputado federal Zeca Dirceu (PT-PR) afirmou, neste sábado, em Francisco Beltrão, que o Brasil caminha para viver, em 2026, a eleição mais importante de sua história democrática — e que, comparado a outros ciclos eleitorais, o presidente Lula reúne condições concretas para vencer já no primeiro turno sua campanha à reeleição.
“Talvez essa seja a eleição em que a gente tenha mais chance, mais condições e mais argumentos para reeleger o presidente Lula no primeiro turno. E não é otimismo de torcedor. Eu digo isso apoiado em fatos”, declarou.
A fala ocorreu durante a Plenária Regional do PT no Sudoeste do Paraná, que reuniu militantes, dirigentes municipais e lideranças de toda a região em Beltrão.
Responsabilidade histórica com Lula e com a democracia
Zeca abriu sua intervenção lembrando que 2026 pode marcar a última eleição de Lula como candidato e que isso impõe ao campo democrático uma responsabilidade histórica. “Depois de tudo o que ele passou, da prisão injusta, da perseguição, da dedicação de uma vida inteira ao povo brasileiro, nós temos uma responsabilidade gigantesca com a história.”
O deputado foi além: afirmou que a eleição não será apenas sobre projetos de governo, mas sobre a sobrevivência da própria democracia brasileira. Relembrou os ataques de 8 de Janeiro e os planos golpistas que vieram à tona. “Em 2026, não estará em disputa só se o governo vai investir mais ou menos em determinada área ou política pública. Vai estar em disputa se o Brasil continua sendo um país democrático, soberano e independente.”
Entregas, crescimento e renda: o governo tem argumentos reais
O eixo central da fala de Zeca foi o desempenho do governo Lula. Para ele, o cenário político mudou porque agora há entregas concretas para apresentar ao povo brasileiro. Entre os principais resultados citados estão: maior crescimento da renda média da história em quatro anos; menor índice de desemprego da série histórica do IBGE e recorde na geração de empregos; Inflação em trajetória de queda e expansão de investimentos em saúde, educação, infraestrutura e habitação, entre outros.
Zeca também destacou uma das medidas com maior impacto popular para 2026, que foi a isenção do imposto de renda para quem ganha até R$ 5 mil e redução até R$ 7,35 mil: “Quem ganha até R$ 5 mil não vai mais pagar Imposto de Renda. Quem ganha R$ 6 mil ou R$ 7 mil vai pagar muito menos. Isso é dinheiro girando no comércio, na agricultura, na indústria. Isso aquece o país”, comentou.
Segundo ele, mesmo com os juros ainda elevados — resultado da autonomia do Banco Central aprovada pela direita — o Brasil já dá sinais de retomada forte do crescimento.
A vida real como principal argumento eleitoral
O deputado defendeu que a militância converse com as pessoas, saia para o convencimento da população e passe a mostrar a vida real de quem foi beneficiado pelas políticas públicas: famílias que conquistaram a casa própria; estudantes atendidos pelo Pé-de-Meia; expansão universitária; ampliação do atendimento médico especializado; investimentos e entregas de ambulâncias do SAMU, bem como de estruturação de centrais operacionais nas regiões; creches e escolas em construção, retomada de obras que estavam abandonadas, além de todo o diferencial de investimentos da Itaipu Binacional no Paraná no governo do Presidente Lula. “Tem gente em cada município que melhorou de vida por causa do governo Lula e desse olhar diferenciado de compromisso, responsabilidade social e fortalecimento da nossa soberania. É isso que a gente tem de mostrar”, disse.
Territórios inovadores e enfrentamentos importantes
Zeca destacou como vantagem também o fato de que Lula não se limitou às políticas tradicionais do campo progressista, mas também avançou em territórios historicamente evitados pela esquerda, com ações estruturantes e de alto impacto. Entre eles, citou o combate ao crime organizado e enfrentamento direto das estruturas financeiras que alimentam as organizações criminosas, apontando que esse movimento fortalece o Estado, protege a democracia e amplia a sensação de segurança da população. “O que está sendo feito agora no Brasil não tem precedentes na nossa história”, acrescentou.
Sobre o peso decisivo do Paraná em 2026, Zeca lembrou que o estado é o quarto maior colégio eleitoral do país e terá papel decisivo no resultado nacional. Em 2022, Lula fez 38% dos votos no estado. “Se a gente repetir e ampliar isso, o Paraná será decisivo para a vitória nacional.”
Defesa de protagonismo do PT no cenário estadual
O deputado defendeu que o PT apresente quatro candidaturas próprias em 2026: governador, vice, senador e senadora — com protagonismo feminino obrigatório. Defendeu a continuidade do diálogo com o PDT e com Requião Filho, mas fez um alerta estratégico: “O PT não pode ser refém de uma única opção. Precisa ter alternativas.” Zeca também avaliou que a indefinição do atual governo estadual pode abrir espaço para uma candidatura alternativa competitiva a Sérgio Moro.
Sobre seu próprio futuro, Zeca foi direto: sua prioridade hoje é trabalhar pela reeleição para a Câmara dos Deputados, mas não ignora o fato de que seu nome e sua trajetória política o credenciam para disputas majoritárias. Uma eventual candidatura ao Senado dependerá de decisão coletiva do partido. “Este mandato não é só meu. Ele é de um coletivo político que confia na minha representação”, afirmou
Sudoeste como referência
Na conclusão, Zeca exaltou a organização partidária no Sudoeste, apontando a região como modelo para todo o Paraná e reafirmando seu vínculo político e afetivo com a militância petista regional. “O PT já começou a mudar. E o Sudoeste está na frente desse processo”, concluiu.


