
A situação dos serviços de neurocirurgia e anestesiologia do Hospital Municipal Padre Germano Lauck foi tema da reunião do Conselho Curador da Fundação Municipal de Saúde, realizada nesta sexta-feira (23), com a presença do secretário municipal de Saúde, Fabio Mello, e da direção do hospital.
Durante o encontro, foram discutidas duas pautas centrais: a apresentação do plano de contingência para a neurocirurgia e a proposta de readequação da tabela de pagamento para médicos interessados em se credenciar junto ao Hospital Municipal.
Plano de contingência em neurocirurgia
Segundo o secretário Fabio Mello, o plano de contingência foi formalmente pactuado com o Governo do Estado, o Ministério Público e os órgãos de regulação, garantindo que o Hospital Municipal permaneça como referência no atendimento.
Os pacientes de urgência e emergência continuam sendo encaminhados ao Hospital Municipal. A partir do atendimento inicial, o médico plantonista aciona o SAMU e a Regulação Estadual, que define a porta de entrada mais próxima e adequada conforme a gravidade do caso. Entre as unidades referenciadas estão o Itamed, além de hospitais em Cascavel, Francisco Beltrão e Pato Branco.
“O paciente não ficará desassistido. Antes, o médico daqui acionava um plantão à distância para que o especialista viesse até o hospital. Agora, o paciente será levado para receber atendimento em uma das unidades hospitalares disponíveis, da forma mais rápida e adequada possível”, explicou o secretário.
Fabio Mello reforçou que o Hospital Municipal segue com as portas abertas, com pagamentos em dia e atendimento garantido à população.
Readequação da tabela médica
Sobre a remuneração, o secretário informou que os médicos solicitaram um reajuste de 100%, enquanto o município apresentou uma proposta de 41% de readequação, percentual que não foi aceito pelo grupo.
“Vamos republicar ainda hoje a tabela e ofertar novamente aos médicos que já atuavam no hospital. Eles podem retornar a atender. O relacionamento sempre foi bom entre nós e os profissionais”, afirmou Melo.
Situação da anestesiologia
O diretor-geral do Hospital Municipal, Áureo Ferreira, disse que a unidade contava com quatro anestesiologistas em atividade. “Na próxima semana, teremos com certeza a contratação de mais um anestesiologista. Estaremos com dois profissionais da área atendendo, mas existe ainda a possibilidade de reforço adicional. Ontem, estive em Cascavel em reunião com empresas de anestesia para tratar dessa alternativa. Com a chegada do novo anestesista, já poderemos avançar para um retorno gradual à normalidade, talvez não exatamente às 25 cirurgias por dia, como estava, mas muito próximo disso, favorecendo a retomada das cirurgias eletivas e a redução da fila”, explicou.
Respeito aos profissionais e impacto financeiro
O diretor-geral enfatizou que não há qualquer desrespeito aos anestesiologistas.“São profissionais que fazem legitimamente suas propostas, e nós também temos limites impostos pela lei. Oferecemos aquilo que está dentro das nossas possibilidades. Acreditamos na sensibilidade desses profissionais diante da realidade da população e da importância de um hospital 100% SUS”, salientou o diretor-geral.
Ferreira acrescentou que os profissionais que optaram por não permanecer estão livres para reavaliar sua decisão. “Se desejarem retornar, estaremos sempre de braços abertos. São profissionais importantes e a perda deles gera impacto para a cidade”, ressalta.
Reajuste de 41%
Sobre o aspecto financeiro, Áureo explicou que o impacto estimado da readequação é de aproximadamente R$70 mil por mês. Os profissionais pediram 100% de reajuste nos vencimentos, e o Hospital ofereceu 41%. “O orçamento da Fundação já é bastante justo. Qualquer acréscimo representa recursos que saem diretamente da Prefeitura. O maior impacto é para o município”, esclarece.
Pagamentos em dia e combate às fake news
Por fim, o diretor ressaltou que em nenhum momento houve atraso nos pagamentos. Recentemente, surgiram informações de supostos atrasos.“Isso não é verdade. Não houve atraso no pagamento dos anestesistas. Notícias falsas apenas geram ruído e prejudicam a população. E, neste caso, é ainda mais grave, porque trata da saúde dos munícipes”, lamentou.