Um suposto sistema paralelo de inteligência no governo de Jair Bolsonaro monitorou o presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Alexandre de Moraes. E de acordo com as investigações da Polícia Federal, o responsável por essa tarefa era o coronel da reserva Marcelo Costa Câmara. As informações estão na decisão que autorizou a operação Tempus Veritatis, que significa Hora da Verdade, deflagrada nesta quinta-feira.
O coronel Câmara foi um dos presos nessa quinta-feira. Ele era um dos assessores mais próximos de Bolsonaro e tinha formação nas Forças Especiais do Exército.
No dia 15 de dezembro de 2022, Câmara enviou uma mensagem a Mauro Cid com o itinerário de uma pessoa alvo do monitoramento. Dizia que essa pessoa havia viajado pra São Paulo no dia 15 de dezembro e voltaria pra Brasília para a posse.
Os investigadores constataram que as viagens do ministro Alexandre de Moraes batiam com as da pessoa vigiada pelo grupo. Chamou a atenção que Marcelo Câmara já tinha o itinerário exato do ministro pelos 15 dias seguintes. Isso indicaria acesso a informações privilegiadas e ações de vigilância de nível avançado, inclusive com uso de tecnologia fora do alcance das autoridades de controle.
Na avaliação dos policiais, como a minuta de decreto golpista previa a prisão de Moraes, o acompanhamento dos movimentos dele demonstra que o grupo tinha a real intenção de aplicar o golpe de Estado no país.
Nós pedimos um posicionamento da defesa de Marcelo Câmara, mas não tivemos resposta até o fechamento desta reportagem.
Edição: Jacson Segundo/ Renata Batista