Segunda, 16 de Fevereiro de 2026
23°C 34°C
Marechal Cândido Rondon, PR
Publicidade

Eventual novo aumento da Selic é consequência da longa cultura de alta dos juros reais, avalia CNI

Continuidade do ciclo de alta dos juros desconsideraria esforços em curso na política fiscal e na atividade econômica

Por: Redação Fonte: cni.portaldaindustria.com.br
29/01/2025 às 07h14
Eventual novo aumento da Selic é consequência da longa cultura de alta dos juros reais, avalia CNI
Foto: Gabriel Pinheiro/CNI Da Agência de Notícias da Indústria

Confederação Nacional da Indústria (CNI) classifica como “a crônica de uma morte anunciada” de cultura dos juros altos o eventual aumento da taxa Selic pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central. A ponderação é de que a esperada continuidade do ciclo de alta dos juros desconsideraria os esforços em curso na política fiscal e na atividade econômica e traria efeitos negativos sobre a criação de emprego e renda. 

Nesse sentido, os diversos setores econômicos defendem um pacto nacional, balizado por elementos que levem o Brasil à prosperidade. Isso significa criar um consenso em torno de metas fiscais e de políticas econômicas estruturantes, garantindo estímulos seletivos que assegurem a continuidade dos investimentos, voltado para a sustentabilidade do desenvolvimento econômico e social a médio e longo prazos. 

Insistir no aumento da Selic, considerando que já tem embutidos juros reais de cerca de 7%, faz com que o setor industrial adie investimentos essenciais, voltados à modernização ou expansão da sua matriz de produção, deixando de melhorar sua produtividade e desperdiçando oportunidades de contribuir com o crescimento do país. 

Aspectos positivos do quadro fiscal têm que ser mais valorizados

Segundo a CNI, o pacote de corte de gastos proposto pelo governo federal e aprovado pelo Congresso Nacional no fim do ano passado é relevante, uma vez que a economia com despesas primárias federais em 2025 e em 2026 pode chegar a R$ 70 bilhões. Além disso, o Executivo já manifestou que deve propor, ainda este ano, novas medidas para garantir o equilíbrio fiscal.

Para a CNI, é preciso considerar a forte desaceleração do impulso fiscal observada desde o segundo semestre de 2024, quando os gastos federais caíram 2,9%, em termos reais, em relação ao segundo semestre de 2023. Essa tendência deve ser mantida em 2025, quando as despesas federais devem ter aumento real de 2,3%, contra aumento próximo a 4% em 2024.

A CNI ressalta que há consenso quanto ao cumprimento da meta de resultado primário de 2024 (considerando sua banda inferior), e que o cumprimento da meta, em 2025, é totalmente factível, dependendo de um contingenciamento de apenas R$ 4,2 bilhões – também considerando o limite inferior da meta.

Depreciação do real adveio de reação precipitada

Para a CNI, a pressão sobre as expectativas de inflação se deu após um movimento de depreciação do real. A desvalorização da moeda foi influenciada por uma reação exagerada a respeito da qualidade do pacote fiscal do governo federal.

Segundo a CNI, o aumento da taxa de juros custa caro para a dívida pública. Se a Selic subir 1 ponto percentual (p.p.) na próxima reunião do Copom, o custo da dívida bruta federal aumentará em R$ 50 bilhões, de acordo com estimativas do próprio Banco Central.

Selic está em patamar excessivo e coloca o Brasil em posição desvantajosa

A taxa de juros real – que desconta a inflação – está em 6,8% ao ano (a.a.), ou seja, 1,8 p.p. acima da taxa de juros neutra estimada pelo Banco Central, de 5% a.a. Isso caracteriza uma política monetária bastante contracionista. Vale pontuar que a política monetária está contracionista há três anos. Com isso, o Brasil permanece na parte de cima do ranking mundial das maiores taxas de juros reais, atrás apenas da Turquia e da Rússia.

No atual patamar de 12,25% a.a., a CNI estima que a Selic está, no mínimo, 2,45 p.p. acima da taxa de juros de equilíbrio, de 9,80% a.a., que seria aquela necessária para, de um lado, conter a inflação e, de outro, reduzir os impactos sobre o crescimento econômico.

Juros elevados comprometem a atividade econômica e abalam a confiança dos empresários

Após a desaceleração observada no PIB do terceiro trimestre de 2024, os dados de atividade do último trimestre (até novembro) mostram que a tendência se manteve.

Em novembro de 2024, a produção industrial caiu 0,6% em relação a outubro, sendo o segundo mês consecutivo de queda. No varejo, o volume vendido diminuiu 1,8% em novembro, revertendo o crescimento que havia sido registrado no mês anterior. Já nos serviços houve recuo de 0,9% em novembro, o que praticamente anulou a alta obtida em outubro.

Esse cenário de perda de ritmo da atividade econômica, somado às altas nos juros, tem minado a confiança dos empresários industriais. Em janeiro de 2025, o Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI), da CNI, caiu para 49,1 pontos – a quarta queda seguida.

Aumentar a Selic traz mais custos para as empresas

Para os empresários que precisam investir na compra de máquinas e equipamentos, ou mesmo contratar capital de giro par fazer frente às necessidades financeiras do dia a dia, o custo do crédito fica ainda mais caro com a subida da Selic, sendo um impeditivo para a execução de diversos projetos, fazendo com que o Brasil desperdice uma série de oportunidades. 

A CNI destaca que o custo financeiro dos juros altos se acumula ao longo da cadeia produtiva, o que amplifica seus danos. Na indústria, setor que é estruturado em cadeias longas, esse efeito é devastador. O custo financeiro embutido no produto industrial final pode representar até 25% do preço ao consumidor, o que é insustentável para a competitividade do setor.

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários
 Lúcio Bernardo Jr. / Agência Brasília
Economia Há 41 minutos

Empresas vão poder abater dívidas se conectarem faculdades à internet

Há pelo menos 118 unidades com dificuldades de acesso, diz Anatel

Foto: Arnaldo Neto/AEN
Economia Há 23 horas

Acima da média nacional, comércio paranaense fecha 2025 com alta de 2,8% nas vendas

É o segundo melhor resultado pós-pandemia, atrás apenas de 2024, que terminou com 3,1% de crescimento. O resultado do ano passado também é superior à média nacional no mesmo período, que foi de 1,6%.

BRDE encerra participação no Show Rural com balanço de 3.127 projetos no Banco do Agricultor Paranaense Foto: Kauã Veronese/BRDE
Economia Há 23 horas

BRDE fecha participação no Show Rural com R$ 434,3 milhões no Banco do Agricultor

No total, o Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul encerrou a participação na feira em Cascavel com balanço de 3.127 projetos no Banco do Agricultor, criado para acelerar investimentos produtivos com estímulos direcionados para produtores, cooperativas e agroindústrias familiares.

Não há cobrança: Detran-PR alerta sobre golpe com uso do programa CNH Social Foto: Geraldo Bubniak/AEN
Detran Há 23 horas

Não há cobrança: Detran-PR alerta sobre golpe com uso do programa CNH Social

Para evitar prejuízos, o Detran-PR esclarece que não entra em contato direto com a população para buscar candidatos para o programa CNH Social e nem cobra nenhuma espécie de taxa, pois a gratuidade está garantida em todas as fases do processo de obtenção da habilitação.

Foto: Igor Jacinto/Vice Governadoria
Geral Há 24 horas

Show Rural termina com grande participação do Estado e público recorde de 430 mil pessoas

Presente desde o primeiro dia de feira, o governo estadual promoveu uma série de anúncios que vão ajudar a consolidar o Paraná como supermercado do mundo. Entre eles estão investimentos em colégios agrícolas, recursos para crédito rural e novas cultivares.

Marechal Cândido Rondon, PR
24°
Parcialmente nublado
Mín. 23° Máx. 34°
24° Sensação
2.11 km/h Vento
68% Umidade
0% (0mm) Chance chuva
06h23 Nascer do sol
19h17 Pôr do sol
Terça
35° 22°
Quarta
34° 22°
Quinta
35° 21°
Sexta
33° 21°
Sábado
32° 23°
Publicidade
Publicidade
Publicidade
Economia
Dólar
R$ 5,22 -0,09%
Euro
R$ 6,20 -0,05%
Peso Argentino
R$ 0,00 +0,00%
Bitcoin
R$ 379,704,60 -0,47%
Ibovespa
186,464,30 pts -0.69%
Publicidade
Publicidade
Enquete
...
...
Publicidade
Lenium - Criar site de notícias