Sexta, 08 de Maio de 2026
10°C 22°C
Marechal Cândido Rondon, PR
Publicidade

Bezerros geneticamente modificados nascem pela primeira vez no Brasil.

A edição genética utilizou a técnica CRISPR/Cas9, que pode ser considerada um processo de “melhoramento genético de precisão”.

Por: Redação Fonte: Embrapa
08/01/2026 às 14h21
Bezerros geneticamente modificados nascem pela primeira vez no Brasil.
Foto: Rubens Neiva
  • Nascem os primeiros bezerros geneticamente modificados do Brasil, concebidos a partir de embriões fertilizados in vitro.
  • Projeto da Embrapa e da Associação Brasileira de Angus visa tornar o gado mais resistente ao calor.
  • A técnica CRISPR/Cas9 é utilizada para desenvolver animais com pelos mais curtos e maior adaptação a climas tropicais.
  • Os resultados iniciais demonstram sucesso na edição genética e reforçam a perspectiva de melhoria da produtividade.
  • A pesquisa continua avaliando a transmissão dessa característica para as futuras gerações de Angus e outras raças bovinas.

 

Os primeiros bezerros geneticamente modificados, resultantes de embriões fertilizados in vitro, nasceram no Brasil. O feito inédito na América Latina foi anunciado pela Embrapa em parceria com a Associação Brasileira de Angus e representa um marco para a pecuária brasileira. O projeto visa desenvolver bovinos mais resistentes às altas temperaturas e às mudanças climáticas por meio da tecnologia de edição genética CRISPR/Cas9.

Ao todo, cinco bezerros Angus nasceram entre o final de março e o início de abril. Os primeiros resultados mostraram sucesso na edição genética em pelo menos dois deles. O sequenciamento genético realizado pela Embrapa Gado Leiteiro  confirmou a eficácia da técnica e apontou que os animais editados carregam a característica desejada: pelagem curta e lisa para maior resistência ao calor.

A técnica é considerada inovadora para o gado e promete impulsionar a adaptação de raças produtivas, como Angus e Holstein, às condições tropicais do país. Espera-se que esses animais sofram menos com o estresse térmico, resultando em maior bem-estar e, consequentemente, maior produtividade.

A edição genética recorreu à técnica CRISPR/Cas9, considerada um método de "melhoramento genético de precisão". Segundo o pesquisador da Embrapa, Luiz Sérgio de Almeida Camargo  ( foto abaixo ), a ferramenta foi adaptada a partir de um sistema natural encontrado em bactérias. "O CRISPR/Cas9 funciona como uma espécie de tesoura genética, capaz de editar sequências de DNA com precisão e que pode ser usada não apenas para melhorar a saúde e o bem-estar animal, mas também para promover características de interesse econômico", explica.

Com essa tecnologia, é possível introduzir mutações benéficas diretamente em embriões, sem a necessidade de cruzamentos tradicionais, que poderiam levar gerações para estabelecer as características desejadas. O projeto focou na edição do gene do receptor de prolactina, que está envolvido no controle da temperatura corporal em bovinos.

Cabelo curto e maior resistência

Mutações no gene do receptor de prolactina causam o desenvolvimento de pelos mais curtos e lisos, o que ajuda a reduzir a temperatura corporal dos animais. Essa característica é natural em algumas raças adaptadas ao clima tropical da América Latina, mas está ausente em raças puras de alta produção, como Angus ou Holstein-Friesian.

Segundo Camargo, dois dos bezerros geneticamente modificados têm pelos curtos e lisos, resultado da edição genética em mais de 90% dos folículos capilares. "Os resultados obtidos até agora já são suficientes para que os animais apresentem a característica desejada", afirma o pesquisador, observando que as pesquisas continuam para aprimorar a eficiência do processo.

Eletroporação de zigotos: inovação no método

Os embriões foram geneticamente modificados por meio de um processo chamado eletroporação do zigoto. O método aplica pulsos elétricos curtos para abrir temporariamente a membrana do zigoto (a célula resultante da união de um óvulo e um espermatozoide), permitindo que as moléculas que promoverão a edição entrem na célula.

Essa técnica é considerada menos invasiva e mais prática do que outros métodos tradicionais usados ​​para edição genética, e estudos sobre sua aplicação em zigotos bovinos conduzidos pela Embrapa têm demonstrado que ela pode ser mais eficiente e menos dispendiosa.

Impacto na produção e no bem-estar animal

Espera-se que o gado Angus geneticamente modificado sofra menos estresse térmico e apresente maior capacidade produtiva e reprodutiva em ambientes quentes e úmidos. Essa adaptação é cada vez mais necessária, considerando os cenários previstos de aquecimento global. "A capacidade de suportar melhor o calor gera ganhos diretos em bem-estar animal e produtividade, beneficiando os produtores rurais", destaca Camargo.

Além disso, manter as principais características produtivas da raça Angus, ao mesmo tempo que se introduz maior resiliência ao calor, representa um avanço estratégico para a pecuária brasileira, que busca combinar qualidade da carne com capacidade de adaptação ambiental.

 

Parceiros no desenvolvimento

O nascimento dos animais resulta de uma sequência de projetos que envolvem uma parceria abrangente, incluindo não apenas a Embrapa, a Associação Brasileira de Angus e a Ultrablack, mas também instituições como o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico ( CNPq ), a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais ( Fapemig ), o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas ( Sebrae ) e a Casa Branca Agropastoril.

A pesquisa envolve equipes da  Embrapa Gado Leiteiro ,  Embrapa Gado de Corte  e  Embrapa Pecuária do Sul , que se concentram no desenvolvimento de novos animais geneticamente modificados e na avaliação da transmissão de características para as gerações futuras.

 

O futuro da pecuária

Para os cientistas, os primeiros bezerros geneticamente modificados são apenas o começo. As próximas etapas da pesquisa incluem o monitoramento do crescimento dos animais, a avaliação de sua produção e desempenho reprodutivo e, principalmente, o estudo da hereditariedade das alterações genômicas.

Se a transmissão dessa característica para os descendentes for comprovada, a tecnologia poderá ser disseminada naturalmente através das gerações futuras, acelerando a adaptação de rebanhos inteiros ao clima tropical.

A pesquisa também examinará se há edições fora do alvo nos genomas dos animais recém-nascidos e se os animais se comportarão como esperado (ou seja, apresentarão menor variação na temperatura corporal quando expostos ao calor). O próximo objetivo é gerar uma pequena população de animais editados, formando a primeira geração, para que seus descendentes possam ser usados ​​para disseminar a característica para rebanhos maiores.

Mateus Pivato, diretor executivo da Associação Brasileira de Angus e Ultrablack, comemora o sucesso do estudo. "Este projeto coloca a pecuária brasileira na vanguarda da inovação genética. Estamos investindo em um futuro mais sustentável, com animais de alta qualidade que resistem melhor aos desafios climáticos do país", afirma Pivato.

Segundo ele, a organização investiu fortemente em pesquisa para produzir gado Angus cada vez mais adaptado aos sistemas de produção nacionais, fornecendo aos criadores e associados animais com termotolerância para maior desempenho em ambientes mais desafiadores. Ele também destaca que o mercado consumidor valoriza cada vez mais práticas que aliam produtividade ao respeito ao bem-estar animal, e que os resultados das pesquisas reforçam a competitividade da carne Angus brasileira tanto no mercado nacional quanto internacional.

O presidente da Associação, José Paulo Cairoli, afirma que este momento representa todos os esforços realizados nos últimos anos para garantir que a raça alcance a evolução tão almejada pelos criadores. "Cada passo dado pela Associação, nesta importante parceria com a Embrapa, demonstra o empenho da organização em promover a raça e aqueles que investem nela. A geração dos primeiros animais geneticamente modificados é um marco na história da pecuária brasileira, e estamos muito felizes por poder desempenhar um papel fundamental nesta conquista inédita", comenta Cairoli.

 

 
 

Rubens Neiva (MTb 5.445/MG)
Embrapa Gado de Leite

Consultas da imprensa

Tradução: Mariana Medeiros (13044/DF)
Assessoria de Imprensa da Embrapa

Egui Baldasso (MTb 16844)
Associação Brasileira de Angus

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários
Foto: SEED
Geral Há 43 minutos

Colégio indígena de Nova Laranjeiras vai representar o Paraná em evento nacional

O reconhecimento é resultado do desenvolvimento de práticas alinhadas às diretrizes do programa do Ministério da Educação, que incentiva propostas pedagógicas conectadas ao perfil e às necessidades dos estudantes.

Foto: Aline Jasper/UEPG
Geral Há 49 minutos

Seis hospitais do Paraná participam de captações inéditas de órgãos e fortalecem transplantes

No centro dessa engrenagem estão as Organizações de Procura de Órgãos (OPOs), unidades estratégicas da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) que funcionam como braços operacionais da Central Estadual de Transplantes.

Entidades sociais são contempladas com prêmios de R$ 5 mil Foto: SEFA
Geral Há 57 minutos

Nota Paraná: entidades sociais de 26 cidades são contempladas com prêmios de R$ 5 mil

Além dos prêmios principais, outras instituições também foram contempladas com valores de R$ 100, que podem ser somados caso a mesma entidade seja sorteada mais de uma vez. Atualmente, o programa conta com 1.991 organizações cadastradas em todo o Estado.

BRDE reforça atuação no crédito ao turismo durante Salão do Turismo 2026 Foto: BRDE
Geral Há 3 horas

No Salão do Turismo 2026, BRDE reforça atuação no crédito do setor

Banco tem atuação relevante como agente financeiro do Fungetur - fundo vinculado ao Ministério do Turismo que financia o setor. No Paraná, mais da metade do total aportado pelo fundo entre 2018 e 2026 foi por meio do banco. Ao todo, a carteira ativa do BRDE com recursos do fundo se aproxima de R$ 1 bilhão, distribuída em mais de 1.600 operações de crédito.

Assessoria
Meio Ambiente Há 3 horas

Prefeitura rondonense viabiliza triturador de resíduos para o Ecoponto

O equipamento está sendo utilizado para triturar entulhos e restos de construção civil, além de materiais volumosos, como colchões e sofás, que normalmente ocupam grande espaço e dificultam o armazenamento e a destinação correta.

Marechal Cândido Rondon, PR
15°
Chuva
Mín. 10° Máx. 22°
15° Sensação
2.68 km/h Vento
96% Umidade
100% (19.87mm) Chance chuva
07h01 Nascer do sol
18h04 Pôr do sol
Sábado
12°
Domingo
14°
Segunda
17°
Terça
19°
Quarta
23° 11°
Publicidade
Publicidade
Publicidade
Economia
Dólar
R$ 4,90 -0,52%
Euro
R$ 5,77 -0,11%
Peso Argentino
R$ 0,00 +0,00%
Bitcoin
R$ 414,600,31 -0,14%
Ibovespa
183,218,27 pts -2.38%
Publicidade
Publicidade
Enquete
...
...
Publicidade
Lenium - Criar site de notícias