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Tecnologia diferencia cafés por região e detecta adulterações com rapidez e baixo custo

Análise dos grãos de café na versão portátil do equipamento de infravermelho próximo (NIR)

Por: Redação Fonte: Embrapa
23/01/2026 às 09h31
Tecnologia diferencia cafés por região e detecta adulterações com rapidez e baixo custo
Análise dos grãos de café na versão portátil do equipamento de infravermelho próximo (NIR) Foto: Antonio Scarpinetti (SEC)
  • A espectroscopia no infravermelho próximo (NIR) reduz significativamente o tempo das análises laboratoriais, realizadas em poucos segundos, sem reagentes químicos e sem danos às amostras.
  • A técnica contribui para fortalecer a identidade territorial e cultural dos cafés indígenas amazônicos, ampliando o acesso a mercados de cafés especiais.
  • Ela também identificou adulterações por materiais estranhos e ajudou a evitar fraudes, que se intensificaram com a alta do preço do café no mercado brasileiro.
  • A NIR abre novas perspectivas para o melhoramento genético e a rastreabilidade digital.
  • Um dos objetivos futuros é desenvolver uma plataforma digital de autenticação, conectando produtores, cooperativas e certificadoras.

 

Pesquisas da Embrapa Rondônia (RO) indicam que a espectroscopia no infravermelho próximo (NIR) permite identificar a origem geográfica do café e detectar adulterações de forma rápida e acessível. A técnica, já empregada em outras cadeias agroindustriais, está em fase de validação para o setor cafeeiro e tem potencial para fortalecer as restrições geográficas e certificações de qualidade do produto brasileiro.

A NIR mede como a luz interação com os compostos químicos. O processo gera um sinal químico chamado de “espectro”, que funciona como uma “impressão digital”. Com base em bancos de dados e algoritmos treinados, o sistema identifica a origem do grão e verifica se há adulterações, em poucos segundos, e sem destruir uma amostra.

“É uma tecnologia que permite identificar o terroir do café, chegando ao nível da área produtiva”, explica o pesquisador Enrique Alves , da Embrapa Rondônia.

A pesquisa foi desenvolvida ao longo de cinco anos como parte do doutorado de Michel Baqueta na Universidade Estadual de Campinas ( Unicamp ), em parceria com a equipe da Embrapa Rondônia. O estudo combina espectroscopia NIR e análise quimiométrica (aplicação de métodos matemáticos e estatísticos para extrair informações úteis de dados químicos complexos) para criar padrões espectrais capazes de diferenciar origens, detectar adulterações e consideração de territórios específicos. Por exemplo, os resultados separaram os cafés robustas amazônicos (inclusive as variedades indígenas) de conilons do Espírito Santo e da Bahia, variedades de café canéfora ( Coffea canephora ) em diferentes solos cultivados.

A mesma técnica pode ser aplicada em outras cadeias agroalimentares — cacau, soja, leite, frutas e vinhos — com ganhos de rastreabilidade e controle de qualidade. O NIR abre caminho para um novo padrão de confiança na origem e pureza dos produtos agropecuários brasileiros. Nos testes, foi possível identificar adulterações no café com materiais como milho, soja, casca e borra, além de sementes de açaí, apontadas por Baqueta como “um tipo emergente de fraude”.

Foto:  Antonio Scarpinetti 

 

Como funciona a NIR

1. Uma amostra de café (em grão ou moída) é colocada no equipamento.
2. O feixe de luz infravermelha incide sobre o grão.
3. Os compostos químicos reagem e geram espectro químico — sua 'impressão digital'.
4. O software compara o espectro com o banco de dados.
5. O sistema identifica origem, pureza e pureza em segundos.

 

Identidade e pureza como diferenciais

O trabalho conta com a colaboração de universidades brasileiras e centros de pesquisa da Itália e da França, reunindo competências em ciência de alimentos, química analítica e espectroscopia. Em paralelo, estudos no Espírito Santo aplicaram a mesma metodologia para delimitar terroirs regionais, reforçando a consistência dos resultados e a possibilidade de uso do banco de dados espectrais em laboratórios e, futuramente, em equipamentos portáteis.

A validação científica pelo NIR facilita o reconhecimento técnico e mercadológico dos cafés indígenas amazônicos, fortalecendo sua identidade territorial e cultural. A transmissão de origem e proporciona agrega valor econômico e simbólico, o que amplia o acesso desses produtores a mercados de cafés especiais e promove a valorização da biodiversidade e dos sistemas produtivos tradicionais.

Contra fraudes e adulterações

Alves explica que a técnica regular de padrões químicos que funcionam como uma “impressão digital” do grão, permitindo distinguir cafés por origem e pureza. Ela também é capaz de identificar alterações provocadas pela presença de materiais estranhos — como milho, soja, casca, borra ou sementes de açaí — usados ​​em fraudes que se intensificaram com o alto preço do café no mercado brasileiro. “Se houver contaminante, palha ou outra lixo, a curva espectral muda e conseguir confirmar a adulteração”, complementa o pesquisador. É possível saber, também, se houve mistura de grãos em um lote.

A espectroscopia NIR possibilita detectar fraudes de maneira rápida e precisa, sem uso de reagentes e sem destruir uma amostra. As análises podem ser realizadas diretamente no local de fiscalização, agilizando o controle de qualidade e fortalecendo a rastreabilidade do café brasileiro. "Uma análise convencional pode exigir preparação de amostra e reagentes. Com o NIR, o resultado sai em segundos, com mínimo custo operacional", destaca Baqueta.

 

O que a NIR detecta

• Misturas de cafés de origens diferentes (ex.: Rondônia + Espírito Santo)
• Adição de materiais estranhos: milho, soja, casca, borra, sementes de açaí
• Diferença entre cafés indígenas e não indígenas
• Contaminações e impurezas no pó moído

 

Tecnologia acessível e de baixo custo

Além de evitar adulterações, a técnica abre novas perspectivas para o melhoramento genético e a rastreabilidade digital. Uma equipe da Embrapa Rondônia pretende aplicar o banco de germoplasma que contém mil acessos de café, para identificar perfis químicos associados a características como o teor de cafeína e minerais. Isso pode acelerar a seleção de materiais de interesse e valorizar os cafés de origem, e assim fortalecer a imagem de qualidade do produto nacional.

Uma vantagem substancial da espectroscopia NIR é uma redução significativa no tempo de análise em comparação com os métodos convencionais. Uma avaliação laboratorial tradicional pode levar horas ou até dias, dependendo do preparo da amostra ( foto à esquerda ) e do uso de reagentes químicos, e gera elogios laboratoriais demorados. Já a leitura por NIR é quase instantânea, fornecendo resultados em poucos segundos. “A técnica oferece rapidez e não requer reagentes, o que representa um avanço relevante para a rastreabilidade e a certificação dos cafés de origem brasileiros”, enfatiza Alves.

Baqueta acrescenta que o equipamento realiza a leitura sem destruir o grão e sem a necessidade de produtos químicos, o que também diminui custos e resíduos. Essa agilidade, somada à possibilidade de uso no campo com equipamentos portáteis, torna o método especialmente promissor para cooperativas, certificadoras e órgãos de fiscalização, que passam a poder verificar a pureza do café de forma rápida e padronizada.

Foto: Michel Rocha Baqueta

 

NIR em números

  • 1000 acessos do banco genético de café analisáveis
  • Redução potencial de custo: até 95%
  • Tempo de análise: segundos
  • Aplicabilidade em grãos crus, torrados ou moídos
  • Equipamentos disponíveis em versões de bancada e portátil

 

“A técnica foi idealizada justamente para permitir que cooperativas, associações e agências de certificação tenham acesso a uma ferramenta rápida, confiável e de baixo custo, promovendo a democratização da autenticação e rastreabilidade”, observa afirma Baqueta. Destaca-se que o equipamento do NIR pode ser usado em versões de bancada ( foto à direita ) ou portáteis, o que facilita a adaptação. Ele ressalta que a técnica não exige reagentes, gases ou infraestrutura sofisticada, podendo ser aplicada até em unidades móveis de campo. O treinamento é simples e rápido, e diversos fabricantes já oferecem suporte técnico e capacitação.

Segundo Baqueta, há um movimento crescente de integração da espectroscopia NIR a dispositivos móveis e aplicativos conectados à nuvem, permitindo análises em tempo real e resultados disponíveis em plataformas digitais. Essa inovação pode ligar o campo ao consumidor e oferecer mais transparência no setor do café.

Rastreabilidade digital e certificação de origem

Embora o NIR já seja utilizado em cadeias como leite e soja, seu uso no café ainda é novidade no Brasil. A expectativa é que, com o avanço do banco de dados e a validação dos modelos, a tecnologia seja incorporada a dispositivos portáteis e sistemas digitais de rastreabilidade, ampliando o controle de qualidade ao longo de toda a cadeia produtiva.

Baqueta aponta que, uma vez validados os modelos e definidos protocolos oficiais, os resultados do NIR podem ganhar valor legal como ferramenta de apoio à certificação de origem, pureza e qualidade do café. Isso permitiria que o método fosse reconhecido em auditórios e selos de qualidade, consolidando-o como instrumento técnico de confiança para o mercado e órgãos certificadores.

A adoção da espectroscopia NIR pode revolucionar o controle de qualidade e a rastreabilidade do café brasileiro: "A técnica permite monitorar lotes desde a origem até a exportação, prevenindo fraudes e fortalecendo a confiança do mercado. Também facilita ações de fiscalização mais ágeis e transparentes por parte de órgãos públicos e cooperativos", diz Baqueta.

Foto: Michel Rocha Baqueta

 

Porque isso importa

  • Democratiza certificações, tornando-as viáveis ​​para cooperativas e pequenos produtores.
  • Fortalece os limites geográficos e combate as falsificações.
  • Aumenta a rastreabilidade e a confiança do mercado.
  • Valoriza cafés indígenas e produtos com identidade territorial

 

O custo inicial pode ser considerado um desafio, mas, para Baqueta, “a capacidade de uso coletivo torna o investimento viável”. Além disso, o treinamento é considerado simples e rápido, ou pode ser facilitado por programas de capacitação e suporte técnico de fabricantes. 

Entre as próximas metas da pesquisa estão a ampliação do banco de dados espectrais com amostras de diferentes regiões do Brasil e o desenvolvimento de uma plataforma digital de autenticação, conectando produtores, cooperativas e certificadoras. A expectativa é consolidar o NIR como referência nacional para autenticação e rastreabilidade dos cafés brasileiros.

 

Glossário

  • Espectroscopia NIR – técnica que usa radiação na região do infravermelho próximo para identificar produtos químicos.
  • Curva espectral – gráficos que representam a resposta química do café à radiação eletromagnética.
  • Terroir – conjunto de fatores ambientais e culturais que influenciam o sabor e a composição.
  • Quimiometria – análise multivariada dos dados químicos encontrados.
  • Impressão digital química – assinatura única de cada amostra


 

 
 

Jorge Duarte (Assessoria de Comunicação, Ascom) (MtB 2914/DF)
Embrapa Rondônia

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