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Manejo de polinizadores pode aumentar a produtividade da acerola no Semiárido em mais de 30%

O estudo mostra que as flores da aceroleira são visitadas preferencialmente por abelhas do gênero Centris , que utilizam os óleos florais na construção de ninhos e na alimentação das larvas

Por: Redação Fonte: Embrapa
05/03/2026 às 12h37
Manejo de polinizadores pode aumentar a produtividade da acerola no Semiárido em mais de 30%
Foto: Magnus Deon
  • Pesquisas no Vale do São Francisco mostram que a presença de abelhas nativas pode incrementar a produção de acerola entre 32 e 103%.
  • Experimentos realizados em Petrolina e Juazeiro registraram ocupação superior a 88% em ninhos-armadilha.
  • Estratégias simples, como oferta de flores e instalação de ninhos, reforçam a presença de abelhas nos cultivos.
  • A acerola tem relevância econômica para o Brasil, beneficiando a agroindústria e pequenos e médios agricultores do Nordeste.
  • O próximo passo é uma parceria público-privada que validará o uso de ninhos-armadilha em cultivos orgânicos e orgânicos da aceroleira.

 

Pesquisas realizadas pela Embrapa Semiárido (PE) apontam que o manejo de abelhas solitárias nativas, especialmente as do gênero  Centris , pode elevar a produção de acerola entre 32% e 103%, dependendo das condições de cultivo. Os estudos, realizados no Vale do São Francisco, propõem estratégias simples para aumentar a presença desses insetos polinizadores nos pomares, com foco em dois aspectos principais: a oferta de recursos florais e a disponibilização de locais para instalação dos ninhos.

Os benefícios foram obtidos após a instalação de 840 ninhos-armadilha em plantações irrigadas de Petrolina (PE) e Juazeiro (BA). A taxa de ocupação surpreendeu os pesquisadores: 88,21% estruturas das foram habitadas, superando registros de estudos anteriores. O resultado está relacionado ao comportamento das abelhas da tribo Centridini, especialistas na coleta de óleos florais e responsáveis ​​por 91,7% das visitas às flores da acerola nas áreas avaliadas.

De acordo com a pesquisadora Lúcia Kiill , coordenadora do estudo, mesmo em culturas autopolinizadas, que é o caso da aceroleira, a presença de polinizadores promove incremento significativo na produção. “Nas áreas estudadas na Fase I do projeto, os ganhos foram expressivos, o que mostra o impacto direto dessas informações sobre a frutificação e o desenvolvimento dos frutos da aceroleira”, afirma.

O Brasil é o maior produtor e exportador mundial de acerola ( foto acima ), com 80% da produção de equipamentos no Nordeste, especialmente em Pernambuco, Ceará e Sergipe. Nos parâmetros irrigados de Petrolina e Juazeiro, a cultura ocupa cerca de 7 mil hectares, com até oito colheitas por ano. A produção abastece o mercado in natura e a indústria de sucos e polpas, garantindo renda constante para pequenos e médios produtores da região.

Foto: Lúcia Kiill

 

Diversidade de abelhas polinizadoras

Os insetos polinizadores têm papel estratégico na manutenção de sistemas agrícolas. O estudo mostra que as flores da aceroleira são visitadas preferencialmente por abelhas do gênero  Centris , que utilizam os óleos florais na construção de ninhos e na alimentação das larvas. Durante esse processo, ocorre a transferência de pólen, resultando em maior taxa de frutificação e aumento do peso dos frutos.

Nos experimentos da primeira fase do projeto, foram registradas 11 espécies de abelhas que visitam a aceroleira, entre elas:  Centris aenea ,  C. tarsata ,  C. analis ,  C. obsoleta  e  C. maranhensis . A primeira,  Centris aenea , chegou a responder por 95% das visitas florais, demonstrando alta fidelidade à cultura.

Diferentemente das abelhas melíferas, as do gênero  Centris  são solitárias. Cada fêmea cria seu próprio ninho, geralmente em cavidades naturais ou perfurações no solo. A pesquisa envolve ninhos sob as copas das plantas e em barrancos de canais de segurança, o que mostra a importância de áreas de refúgio próximas aos cultivos.

Foto: Magnus Deon

 

Manejo para aumentar a polinização

O trabalho propõe estratégias simples para aumentar a presença de abelhas nos cultivos. A primeira é manter, no ambiente dos pomares, espécies vegetais que fornecem pólen, néctar e óleos florais durante todo o ano, especialmente quando a aceroleira não está em abundância.

Entre as plantas recomendadas para esse fim estão o murici, a embira-rosa, o pau-ferro, a falsa-dormideira e a malva-rasteira. A preservação de áreas de Caatinga também é indicada como fonte complementar de recursos para as abelhas.

Outra recomendação envolve a disponibilidade de locais adequados para a nidificação. Nesse aspecto, a pesquisa utilizou ninhos-armadilha confeccionados em blocos de madeira perfurados. Os melhores resultados foram observados com ninhos com cavidades entre 10 e 12 milímetros de diâmetro e profundidade de 10 a 14 centímetros.

"Orientamos que os ninhos-armadilha sejam instalados em locais sombreados e protegidos, preferencialmente próximos a áreas onde os insetos nasceram. Essa prática estimula o retorno e a permanência das abelhas", explica Kiill.

Foto: Lúcia Kiill (ninho-armadilha)

 

Nova fase do projeto

Em parceria com a  Niagro , agroindústria líder no processamento da acerola na região, e outras 12 propriedades do Vale do São Francisco, uma nova etapa do projeto validará o uso de ninhos-armadilha para manter a polinização em cultivos orgânicos e orgânicos da aceroleira.

As áreas estão em análise quanto à cobertura vegetal, disponibilidade hídrica, infraestrutura e conectividade com fragmentos de Caatinga, fatores que influenciam a permanência das abelhas.

O projeto também prevê capacitação para produtores, técnicos, jovens e mulheres rurais, com o objetivo de disseminar práticas de manejo e cultivo de ações voltadas à conservação de polinizadores.

A pesquisadora ressalta que a presença de abelhas nativas em áreas agrícolas é um indicativo de equilíbrio ambiental. "Preservar-las e manejá-las é investir em produtividade com responsabilidade. Esperamos que esse trabalho fortaleça a adoção de práticas que garantam a conservação dos polinizadores e ampliem os ganhos dos produtores do Semiárido", conclui.

 

 

 
 

Clarice Rocha (MTb 4733/PE)
Embrapa Semiárido

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