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Estado consulta comunidades indígenas para estruturar visitas aos Caminhos do Peabiru

As reuniões da semana ocorreram no município de Turvo, na região Central, e fazem parte do processo de Consulta Livre, Prévia e Informada (CLPI), mecanismo que assegura às comunidades tradicionais o direito de participar das decisões sobre projetos que impactem seus territórios.

Por: Redação Fonte: AEN
14/03/2026 às 09h02
Estado consulta comunidades indígenas para estruturar visitas aos Caminhos do Peabiru
Estado realiza consulta com comunidades indígenas para estruturar visitação na rota Caminhos do Peabiru - SETU Foto: SETU

O Governo do Paraná consultou nesta semana comunidades indígenas para discutir a integração delas no programa Rota Turística Caminhos do Peabiru. A iniciativa é conduzida pelas secretarias de Estado do Turismo (Setu) e do Planejamento (Sepl) e tem como objetivo construir, em conjunto com os povos originários, o plano de visitação em áreas que integram o histórico traçado da antiga trilha continental.

As reuniões ocorreram no município de Turvo, na região Central, e fazem parte do processo de Consulta Livre, Prévia e Informada (CLPI), mecanismo que assegura às comunidades tradicionais o direito de participar das decisões sobre projetos que impactem seus territórios.

O primeiro encontro foi na terça-feira (10), com a comunidade Guarani Koe Jú Porã. Na quarta-feira (11), a agenda seguiu na Terra Indígena Marrecas, pertencente ao povo Kaingang. Em ambos os casos, as comunidades manifestaram interesse em integrar a rota turística e concordaram em iniciar a elaboração de um plano de visitação para organizar a recepção de visitantes em seus territórios.

O processo é mediado pela Fundação de Apoio ao Desenvolvimento Científico da Universidade Estadual de Maringá (Fadec-UEM), instituição contratada pelo Estado para conduzir o diálogo e estruturar o plano de visitação de acordo com as diretrizes da Instrução Normativa nº 03/2015 da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai).

 

Durante os encontros, a equipe técnica apresentou a proposta da rota turística e explicou como funciona o processo de planejamento da visitação. A programação também incluiu momentos reservados para que as próprias comunidades discutissem internamente as propostas antes de apresentar suas decisões.

Segundo o secretário de Estado do Turismo, Leonaldo Paranhos, o envolvimento direto das comunidades indígenas é fundamental para o desenvolvimento responsável da rota.

“O Caminhos do Peabiru é um dos maiores patrimônios históricos e culturais do Paraná. A participação das comunidades indígenas é essencial nesse processo. Não se constrói turismo de qualidade sem ouvir quem vive e preserva esses territórios. O objetivo é desenvolver um modelo de visitação que valorize a cultura dos povos originários, gere oportunidades econômicas e, ao mesmo tempo, preserve suas tradições e identidade”, afirmou.

Para o secretário do Planejamento, Ulisses Maia, o processo reforça o potencial cultural da iniciativa. “Esse momento de consulta com as comunidades Guarani e Kaingang demonstra a representatividade da Rota Turística Caminhos do Peabiru como um marco de divulgação da cultura indígena, além de estimular o desenvolvimento do turismo e da economia local. Estamos ouvindo todos os envolvidos para planejar um projeto que seja um diferencial para as regiões participantes”, disse.

 

TURISMO DE BASE COMUNITÁRIA – Um dos principais pontos discutidos durante as reuniões foi o conceito de turismo de base comunitária, modelo no qual as próprias comunidades são responsáveis por definir como a atividade turística será realizada.

Nesse formato, os moradores decidem quais atividades poderão ser oferecidas, em quais horários, quais espaços poderão ser visitados e quais regras devem ser seguidas pelos visitantes. Também cabe às comunidades definir valores, normas de visitação e quais aspectos de sua cultura desejam compartilhar.

Além do protagonismo local, o turismo de base comunitária também prevê que os benefícios econômicos sejam distribuídos entre os moradores, fortalecendo o desenvolvimento coletivo.

Durante os encontros, os participantes receberam informações sobre turismo, hospitalidade, gastronomia, produção cultural e formas de organizar experiências de visitação. O objetivo é fornecer ferramentas para que cada comunidade construa seu próprio modelo de turismo, respeitando suas tradições e decisões internas.

 

PRÓXIMAS ETAPAS – Com a manifestação positiva das comunidades, o trabalho agora avança para a elaboração do plano de visitação, documento que irá definir de forma detalhada como será organizada a presença de visitantes nas áreas indígenas que integram o Caminhos do Peabiru.

O processo inclui novas reuniões, oficinas de planejamento e momentos de discussão interna nas comunidades, que terão autonomia para definir oportunidades e limites da atividade turística.

CAMINHOS DO PEABIRU – O projeto Caminhos do Peabiru resgata antigas trilhas utilizadas por povos indígenas que atravessavam o território sul-americano, conectando o Oceano Atlântico ao Pacífico. Parte desse caminho histórico passa pelo Paraná e vem sendo estruturada pelo Estado como uma rota turística voltada ao turismo cultural, histórico e de natureza.

Com a organização do trajeto e o desenvolvimento de produtos turísticos associados à rota, a expectativa é ampliar o fluxo de visitantes interessados na história e nas culturas tradicionais, fortalecendo o turismo regional.

O projeto é executado pela Secretaria de Estado do Turismo e pela Secretaria de Estado do Planejamento em parceria com o Paraná Projetos e a contratação da Fundação de Apoio ao Desenvolvimento Científico da Universidade Estadual de Maringá (Fadec), e conta com a participação das Instâncias de Governança Regional (IGRs).

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