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A falsa promessa da jornada reduzida

Qualidade de vida também se constrói com pleno emprego e poder de compra.

Por: Redação Fonte: Agnaldo Mantovani*
19/03/2026 às 14h45
A falsa promessa da jornada reduzida
Assessoria

 

 

Em discussão na Câmara dos Deputados, a PEC 08/2025 pode esconder uma cruel realidade, que afetará 
diretamente justamente os mais vulneráveis. Diante de uma causa tão nobre, que é a possibilidade de 
aumentar a qualidade de vida dos nossos trabalhadores, justa para o mundo moderno, corremos o sério 
risco de um resultado caótico.
Ao propor a redução de 44 para 36 horas semanais, com jornada não superior a 8 horas por dia, a medida 
trará efeitos imediatos e provocará um aumento real do salário-hora, com estudos apontando para mais 
de 20% em todas as atividades produtivas.
Aumento real de custos com redução de produtividade é a fórmula perfeita para o desestímulo em 
qualquer modelo econômico, e refletirá instantaneamente em alta de preços. Conta simples. Impacto 
direto no bolso do consumidor.
O sonhado aumento da qualidade de vida, diminuindo jornada de trabalho e garantindo assim, aspectos 
como bem estar físico, mental e emocional, equilíbrio social, e tantas outras variáveis que refletem as 
condições de vida de um indivíduo é o desejo de todos, mas para isso, precisamos solucionar uma 
equação complexa e que requer a participação de toda cadeia produtiva.
Acreditamos que alguns mecanismos devem ser implantados na realização de capacitação permanente 
e de qualidade, na implementação de tecnologias e na replicação de modelos que garantam mais 
produção com menos esforços físicos. O que se deve alcançar é a percepção que os indivíduos têm sobre 
sua importância no contexto geral, nas oportunidades que o mercado oferece, e na sua posição na vida, 
considerando seus objetivos e valores.
Há mais de 80 anos, o psicólogo Abraham Maslow já descrevia em sua teoria, que no topo da pirâmide motivacional, está a camada da autorrealização, quando indivíduos possuem todas as suas necessidades satisfeitas, são independentes, tem confiança neles mesmos, se consideram pessoas
bem-sucedidas e sentem que tem tudo o que precisam para serem felizes. Aumentar a nossa capacidade na geração de empregos, com ambientes de trabalho modernos e produtivos, e perceber a felicidade nas pessoas é tarefa a ser feita e o nosso papel fundamental.
Ao tratar um tema de tamanha relevância, é obrigatória uma ampla discussão com todos os atores envolvidos. A proposta em discussão, apenas reduzindo a jornada de trabalho, poderá trazer consequências desastrosas, pois trabalhadores terão de buscar outras fontes de renda, utilizando totalmente o pretenso “tempo sobrando”, prometido como aumento de qualidade de vida, justamente 
para complementar sua renda, que passará a ser insuficiente diante do inevitável reajuste linear em todos os preços.
Dessa forma, onde estariam as vantagens, além de mais uma armadilha eleitoreira?
Precisamos lembrar que a busca por outras ocupações complementares fatalmente conduzirá o trabalhador a cenários de incerteza, precariedade e informalidade e, pela natureza das prováveis 
oportunidades, muitas vezes sem direito a qualquer benefício, como FGTS, férias ou 13º salário.
Em recente matéria publicada, o professor José Pastore — professor aposentado de Economia da USP e 
presidente do Conselho de Emprego e Relações do Trabalho da Fecomércio-SP — faz um alerta:
“É justo provocar todos estes problemas para simplesmente capturar o seu voto?
Historicamente, propostas desta natureza e com tamanha repercussão geral são tratadas com o devido cuidado. É o que podemos esperar?
As atividades econômicas no Brasil são muito diversas, e os ajustes de jornada diária, escala semanal, compensações e outros mecanismos são discutidos nas negociações coletivas, por instrumentos 
legítimos instituídos por representantes patronais e laborais, por meio de seus sindicatos.
Nossa população merece respeito e dignidade. Qualidade de vida também se constrói com pleno emprego e poder de compra.
Se aprovada como está, esta proposta, que vai no sentido oposto da empregabilidade, transformará sonhos em pesadelos.

*Agnaldo Mantovani é Engenheiro de Segurança do Trabalho, Empresário e Vice-Presidente do Sinduscon Paraná Oeste

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