
Toledo, 27 de março 2026
TOLEDO – O município de Toledo assistiu, na última quinta-feira (26/03), uma grande movimentação de diversas forças políticas da região com a presença do Deputado Estadual e pré-candidato ao Governo do Estado do Paraná, Requião Filho (PDT). Com o objetivo de mobilizar forças para a campanha eleitoral vindoura e marcar o início da pré-campanha na região, foram realizados dois atos centrais: uma reunião organizativa com lideranças na sede do Sindicato dos Metalúrgicos de Toledo e uma Plenária com "casa cheia" na Câmara de Vereadores.
Articulação Política
Na sede do Sindicato dos Metalúrgicos de Toledo, o foco foi o diálogo para a consolidação de uma aliança em torno da candidatura lançada pelo PDT. Dos sete partidos que buscam a criação da coligação “Frente Progressista”, estiveram presentes representantes regionais e estaduais de quatro siglas: PDT, PT, PSOL e REDE.
Este encontro teve um caráter organizativo, iniciando o debate sobre estratégias de pré-campanha e campanha, além de pautas para o programa de governo. Além das lideranças partidárias, também participaram representantes das seguintes entidades da Sociedade Civil:
· Sindicato dos Metalúrgicos;
· APP-Sindicato;
· Sindicato da Alimentação;
· Sindicato da Construção Civil;
· SINEBRAS;
· SINTEOESTE;
· Centro Acadêmico de Serviço Social – Marielle Franco.
Mobilização e Pautas Regionais
Já a Plenária na Câmara de Vereadores, com plenário lotado, teve o objetivo de mobilizar e animar os apoiadores. Durante as atividades, as falas das lideranças regionais e municipais seguiram uma linha de questionamentos à privatização da Copel, com denúncias sobre as frequentes quedas de energia na região oeste, e da necessidade de maior apoio aos pequenos agricultores, principalmente os agricultores familiares. Foi citado o caso de um agricultor da região que teve um prejuízo de nove milhões de reais em razão de interrupções no fornecimento de energia, que se tornaram constantes no cenário pós-privatização. Também foram criticadas as terceirizações nas escolas e o programa de Escolas Cívico-Militares, alvo de denúncias de assédio.
O Discurso do Pré-Candidato
Ao fazer uso da palavra, Requião Filho questionou o montante de 22 bilhões de reais acumulados em isenções fiscais concedidas pelo atual governo a grandes empresas, contrastando com o passivo na data-base do funcionalismo e a extinção de programas de apoio aos pequenos agricultores paranaenses. Citou, também, em sua fala, um episódio de isenção fiscal de mais de 400 milhões de reais para uma única empresa, que foi concedido pelo governo do Paraná, e que essa empresa teria como embaixador o pai do governador Ratinho Júnior.
O pré-candidato afirmou que a linha de sua campanha será buscar o diálogo com a sociedade sobre a necessidade da “boa política”. Ele defendeu a apresentação de um projeto de longo prazo, estruturando o Paraná para os próximos 30 ou 40 anos.
Na mesma ocasião, o pré-candidato concedeu uma entrevista ao Coluna do Meio, que pode ser conferida na íntegra a seguir:
Coluna do Meio: Deputado, as análises de conjuntura para as eleições de 2026 indicam um cenário de reorganização das forças políticas no Paraná, dado o encerramento do ciclo do atual grupo governante e subsequente divisão deste mesmo grupo. Dentro dessa leitura de cenário, qual é a tese política que fundamenta a necessidade de uma candidatura da Frente Progressista neste momento e quais as prioridades que têm norteado o diálogo do seu grupo com as diversas regiões e setores do estado?
Requião Filho: A tese política que norteia o nosso grupo é devolver o Paraná aos paranaenses. Nós temos hoje um governo que se encerra com uma cisão interna enorme, em três, quatro grupos, onde eles não se entendem. Foi um governo que nunca foi construído com um norte em comum, era cada um por si, um individualismo exacerbado. Venderam a Coppel, venderam praticamente a Celepar, querem vender a Celepar, privatizaram escolas, terceirizaram a saúde e tudo isso a um custo muito caro. Pergunta para o produtor aqui do Oeste o que ele acha da privatização da Coppel. A Coppel privatizada, cobrando caro e atendendo mal. Pergunta a qualidade da água que a Sanepar está entregando hoje, por um preço absurdo. Pergunta para o comerciante o que ele acha de pagar água e luz cara e ver o ICMS do Estado do Paraná subir por duas vezes na mão do governo Ratinho, que se diz contra impostos altos. Então o que a gente precisa é reorganizar o Paraná e devolver ele para o povo paranaense. Aí você pergunta o que eu converso com o meu grupo político? Justamente isso. Como vamos investir em segurança? Cuidando dos policiais, não das viaturas. Como vamos investir em saúde? Cuidando das pessoas, não de convênios terceirizados, gastando uma fortuna para ajudar amigos e financiadores de campanha. Como nós vamos cuidar da educação? Investindo nos alunos e nos professores. A grande diferença é que nós valorizamos e cuidamos da parte humana do Estado.
Coluna do Meio: O senhor lidera a frente progressista, que é como o senhor mesmo vem chamando a coligação que está se construindo. Só que considerando o histórico eleitoral do Paraná, vitórias acabam sendo construídas muitas vezes com coligações mais amplas. E a estratégia agora para 2026, ela prevê a busca formal por partidos do centro, como o PSB, o MDB, ou a candidatura vai se manter ao campo progressista?
Requião Filho: Eu sou formado e forjado dentro do MDB. Não se esqueça que eu sou filho do Roberto Requião, que foi governador por três vezes desse Estado, e foi o governador que mais ajudou o microempresário, o pequeno agricultor, que mais investiu na industrialização do Paraná, e cuidou dos nossos professores e das nossas crianças. Então nós temos um aval, um histórico de trabalho, que nos dá essa garantia de que o povo do Paraná sabe como nós funcionamos e para quem nós funcionamos.
Coluna do Meio: Então está havendo um debate...?
Requião Filho: Há sempre um debate com todos os partidos que queiram se livrar dessa fúria mercadológica do atual governo, que pretende vender tudo, extrair o máximo de lucro e não investir no futuro. Nós queremos um Paraná para daqui a 50 anos, não um Paraná para o próximo like na rede social. Todo partido que quiser conversar sobre esse Paraná, com mais segurança, mais educação e mais saúde, mais humanizado, nós estamos de portas abertas.
Coluna do Meio: E nessa estratégia, qual é o papel do presidente Lula na construção dessa candidatura, dessa campanha? E já existe um cronograma para definição dos nomes ao Senado?
Requião Filho: O PT lança hoje a Gleisi Hoffman, ministra Gleisi Hoffman, ao Senado, numa coligação com o nosso lado. A importância do presidente Lula nisso tudo não é porque nós achamos que seja tudo muito lindo e tudo perfeito. Há também discordâncias com o governo federal, como há discordâncias deles conosco. Mas o norte principal que é manter a democracia no Brasil e manter o acesso à saúde pública, ao ensino gratuito, a essa área social que cuida de pessoas e a garantia da Democracia. Você pergunta qual é o principal papel hoje do governo federal e por que esse apoio ao governo federal? Porque daqui a quatro anos, daqui a cinco anos, na verdade, eu quero poder votar de novo. Eu quero essa manutenção da Democracia. Eu acho que a democracia do Brasil é muito jovem, muito frágil e já teve aí uma ruptura na última eleição e a gente não pode brincar com isso. Então essa garantia de ter um Brasil democrático, ela é essencial.
Coluna do Meio: E já tem algum debate sobre o seu vice?
Requião Filho: O vice está em aberto ainda, tanto o meu quanto de qualquer outro pré-candidato ao governo hoje. O vice é uma construção mais profunda, mais detalhada, mais programática e exige uma conversa mais séria e mais contundente com os partidos que estarão conosco.
Coluna do Meio: Para finalizar, o Paraná, como o senhor mesmo acabou de mencionar algumas situações, vive uma situação crítica com os apagões relacionados à pós-privatização da Coppel. Nós temos aí agora essa decisão recente do STF com relação à privatização da Celepar, em relação à questão da segurança dos dados da população, denúncias de assédio nas escolas cívico-militares e um quadro geral de adoecimento dos profissionais de educação. Sem falar em outras situações. Qual é o seu plano prático para reverter essa precarização dos serviços públicos e enfrentar esse adoecimento dos profissionais de educação?
Requião Filho: É a retomada da Copel como uma empresa pública, como ela era antes. Uma empresa pública que nos dava orgulho, dava lucro, investia no Paraná e ajudava a economia do Paraná a crescer. Tanto o agro como a indústria e as empresas. Retomarmos a Copel, renortearmos a Sanepar. Mais uma vez, uma empresa focada em trazer dignidade, água e esgoto para a população. Em cima disso, a valorização da parte humana. Por que os professores estão doentes? Porque o governo se preocupa mais em pintar a escola do que em fortalecer e reconhecer o respeito necessário para os professores. Por que os nossos policiais estão doentes? O governo está mais preocupado em comprar viatura importada do que dar condições de trabalho e respeito ao policial que está diariamente nas ruas colocando essa vida em risco. Então, a ideia principal é retomar esse eixo. É devolver o olhar do Paraná para as pessoas. Esquecer CNPJ, esquecer propaganda de rede social e cuidar de pessoas.
Coluna do Meio: Obrigado, deputado. Agradeço a entrevista. Se o senhor quiser fazer algumas considerações finais...
Requião Filho: Eu agradeço e eu convido todo mundo que está participando, que está escutando, que está lendo, que está vendo essa loucura que está no Paraná para parar e pensar. Como é que um governador que diz ter uma aprovação tão alta não consegue, dentro do seu grupo, de maneira calma, eficaz e ordeira, decidir o seu sucessor? Há aí, então, uma grande diferença entre o que nós vemos e o que realmente acontece. Por fora, Bela Viola. Por dentro... Bom, e quem quiser saber mais do meu trabalho, @RequiãoFilho.
Após as atividades realizadas em Toledo e região, Requião Filho seguiu com a agenda de pré-campanha, além das agendas do mandato. Destaque para a reunião da Executiva Nacional do PDT, a ocorrer em Brasília no próximo dia 7, e o planejamento de atividades na região noroeste do estado a serem realizadas ainda na primeira quinzena de abril.








Fotos: Luciano Egidio Piltz Palagano/ Luiz Elgiovane Marcelites