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A Embrapa e a Associação para o Fomento à Pesquisa de Melhoramento de Forrageiras ( Unipasto ) lançam a BRS Carinás, a primeira cultivar brasileira de Brachiaria decumbens , nesta semana. Ela se sobressaiu pela alta produção de forragem e adaptação a sistemas integrados. Recomendada para o bioma Cerrado, uma nova cultivar alcança até 16 toneladas de matéria seca por hectare, com alta produtividade de folhas.
Entre as suas diferenciais, destacam-se a baixa exigência em fertilidade do solo — ela tolera solos ácidos e pobres em fósforo —, a maior capacidade de suporte (número de bovinos numa determinada área de pastagem) e o maior ganho de peso vivo por área (mais quilos de carne produzidos), quando comparado à cultivar Basilisk.
"É uma excelente alternativa para diversificar áreas hoje ocupadas pela cultivar Basilisk, também conhecida como 'braquiarinha'. A Carinás se adapta bem ao período seco do ano e pode ser usada estrategicamente, como no planejamento de ser vedada no fim do verão e reservada para uso na época da seca", destaca o pesquisador da Embrapa Gado de Corte (MS) Sanzio Barrios , responsável pelo desenvolvimento da nova cultivar.
Outra vantagem é sua utilização em sistemas de Integração Lavoura-Pecuária (ILP), já que a alta produção de palhada e forragem pode ser destinada ao pastel na entressafra. Além disso, a cultivar não interfere na produtividade dos cultivos anuais.
Até o momento, o Basilisk era a única cultivar da espécie Brachiaria decumbens (renomeada como Urochloa decumbens ) disponível no mercado brasileiro. Registrada na Austrália, ela foi trazida para o Brasil na década de 1960. “Seu plantio extensivo no Cerrado brasileiro durante a década de 1970 e a baixa resistência a cigarrinhas das pastagens restringiu seu uso às áreas de baixa ocorrência desses insetos”, informa Barrios. Entretanto, o Basilisk permanece entre as cinco cultivares de braquiária com as maiores áreas de multiplicação de sementes, segundo dados do Ministério da Agricultura e Pecuária ( Mapa ).
“Acreditamos que uma nova cultivar desenvolvida pela Embrapa e Unipasto atenderá à demanda crescente por uma produção agropecuária mais sustentável e eficiente, uma vez que ela é capaz de aumentar a produtividade animal e diversificar as pastagens em áreas de solos fracos e ácidos no Brasil”, completa o melhorista. O pesquisador ressalta ainda que a BRS Carinás reúne condições para que, num futuro próximo, sejam recomendadas para outros biomas brasileiros e países da América Latina onde existem sistemas pastoris baseados na Brachiaria decumbens .
Em comparação com o Basilisk, a BRS Carinás produz 18% a mais de forragem na estação chuvosa, com destaque para maior produção de lâminas foliares, componente de maior valor nutritivo da planta. “Quando vedada para uso no período seco, a BRS Carinás oferece 40% a mais de massa de forragem em relação à cultivar Basilisk, da qual a maior parte [53%] é material vivo [folhas e pressas]”, detalha o pesquisador da Embrapa Cerrados (DF) Allan Kardec Ramos .
Os testes de desempenho de bovinos de corte realizados na Embrapa Cerrados mostraram que uma nova cultivar permite aumentar o número de animais na pastagem, elevando o ganho de peso por hectare – cerca de 12% superior aos ganhos com a Braquiarinha sob o mesmo manejo, de acordo com o pesquisador da Embrapa Cerrados, Gustavo Braga .
* Adubação com 50 quilos de nitrogênio por hectare por ano.
Observações adicionais indicaram que a BRS Carinás não apresentou acamamento de plantas, tanto em áreas vedadas ao final da estação chuvosa quanto em áreas sob crescimento livre. Esse fato é relevante, especialmente por se tratar de um material de porte mais alto, com maior produção de forragem e com hábito de crescimento mais ereto.
Já em relação à tolerância ao encantamento, em testes prolongados em vasos ela se comportou de modo semelhante aos capins Marandu e Xaraés (Brachiaria brizantha). Ensaios experimentais em solos mal drenados serão programados futuramente na Embrapa Acre (AC).
Em sistemas de Integração Lavoura-Pecuária (ILP), a BRS Carinás declarou não competir com a cultura anual em testes realizados em consórcio com o milho. “Uma cultivar não interfere na produtividade da cultura anual e se concentra em taxa de semeadura de quatro quilos de sementes puras viáveis por hectare”, explica o pesquisador Roberto Guimarães Júnior .
Na entrada, a BRS Carinás apresentou elevada produtividade de forragem, chegando a ser 70% superior à Brachiaria ruziziensis, comumente utilizada em sistemas integrados. Segundo Guimarães Júnior, isso resulta em mais forragem para o pastejo, maior produtividade animal na área e melhor cobertura do solo, o que favorece um manejo conservador.
Outra vantagem é a sua velocidade de rebrotação. A cultivar acumulou quatro toneladas de massa seca de forragem em apenas 60 dias no início do período chuvoso. “Essa gramamínea tem um grande potencial de produzir forragem para uso como palhada no plantio direto”, ressalta. Pela facilidade de controle com herbicidas, a forragem pode ser dessecada sem interferir na produtividade dos cultivos subsequentes.
Já no consórcio com soja, cerca de 80% da palhada é decomposta em 120 dias. Com a ciclagem de nutrientes desse material, o solo ganha o equivalente a 100 kg de uréia, 40 kg de superfosfato simples e 80 kg de cloreto de potássio, o que representa importante economia para o pecuarista.
“Todas essas características – não competem com a cultura anual, estabelecem-se aprimoradas em consórcio, produzem alta quantidade de forragem no período seco, ciclar nutrientes e são facilmente controladas com herbicida – fazem da BRS Carinás uma excelente alternativa não só para a diversificação, mas também para a intensificação de sistemas de Integração Lavoura-Pecuária”, garante Guimarães Júnior.
As sementes da BRS Carinás podem ser adquiridas junto aos associados da Unipasto e estarão disponíveis no início do segundo semestre. A cultivar chega no primeiro ano de lançamento já com oferta de sementes para os produtores.
Fotos: Allan Kardec Ramos
Juliana Miura (MTb 4563/DF)
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