Quarta, 06 de Maio de 2026
19°C 29°C
Marechal Cândido Rondon, PR
Publicidade

Pesquisadores alertam para impacto da poluição do oceano por mercúrio

Tema foi destaque no primeiro dia da Reunião Magna da ABC, no Rio

Por: Redação Fonte: Agência Brasil
06/05/2026 às 07h58
Pesquisadores alertam para impacto da poluição do oceano por mercúrio
© Fernando Frazão/Agência Brasil

O aquecimento global está intensificando o processo de transformação do mercúrio em metilmercúrio, um tipo mais tóxico que se acumula na cadeia alimentar e pode atingir humanos por meio do consumo de peixes.

Atualmente, cerca de 230 mil toneladas de mercúrio estão espalhadas pelos oceanos e costumam permanecer no ambiente marinho por cerca de 300 anos. 

Rio de Janeiro (RJ), 05/05/2026 – O pesquisador Lars-Eric Heimbürger-Boavida, do Instituto Mediterrâneo do Oceanografia, na Conferência Oceano do Amanhã: ciência para um planeta em equilíbrio, realizada pela Academia Brasileira de Ciências, no Museu do Amanhã. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
Pesquisador Lars-Eric Heimbürger-Boavida, do Instituto Mediterrâneo do Oceanografia, na Conferência Oceano do Amanhã. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Os dados foram apresentados nesta terça-feira (5) pelo químico Lars-Eric Heimburger-Boavida, pesquisador do Centre National de la Recherche Scientifique (CNRS), da França. Ele participou das discussões sobre poluição marinha no primeiro dia da Reunião Magna de 2026 da Academia Brasileira de Ciências (ABC), no Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro.

Segundo ele, a boa notícia é que esses números foram revisados para baixo: antes se falava em concentração de até 100 milhões de toneladas e tempo de permanência de mais de 100 mil anos.

Uma parte do mercúrio chega aos oceanos por fontes naturais, como atividade vulcânica e erosão de rochas compostas pelo metal. A ação humana, porém, é a via principal, por meio da queima de combustíveis fósseis, mineração, produção industrial e desmatamento.

“Temos bastante embasamento científico e influência suficiente para tomar uma decisão política sobre este quadro. Temos em vigor a Convenção de Minamata sobre Mercúrio, cujo objetivo é reduzir nossa exposição ao mercúrio”, diz Lars-Eric.

“Não podemos reduzir ou impedir que as bactérias produzam mercúrio. A única coisa que podemos fazer é diminuir nossas emissões e esperarmos que, no futuro, haja menos mercúrio no meio ambiente. Porque temperaturas mais altas favorecem as bactérias. No Ártico, por exemplo, o aquecimento promove liberação de mercúrio glacial, e as bactérias ficam mais ativas para produzir o metilmercúrio”, complementa.

Poluente global

Rio de Janeiro (RJ), 05/05/2026 – O professor da UENF Carlos Eduardo de Rezende na Conferência Oceano do Amanhã: ciência para um planeta em equilíbrio, realizada pela Academia Brasileira de Ciências, no Museu do Amanhã. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
Professor da UENF Carlos Eduardo de Rezende . Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

A poluição marinha por mercúrio também foi tema central na apresentação do biólogo Carlos Eduardo de Rezende, professor da Universidade Estadual do Norte Fluminense (UENF). Ele abordou o papel do metal como poluente global e sua interação com a matéria orgânica em ecossistemas terrestres e costeiros.

Rezende explicou que o mercúrio circula pela atmosfera e pode se redistribuir pelo planeta independentemente da origem das emissões. A matéria orgânica exerce papel central nesse processo, funcionando como um suporte geoquímico que retém o mercúrio e influencia sua mobilidade.

Em lugares como a bacia do Rio Paraíba do Sul – que abrange os estados de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro – alterações no uso do solo modificam a dinâmica do mercúrio. A atividade mineradora ilegal persiste na região, mesmo após a Convenção de Minamata.

“Ainda temos muito o que estudar sobre o ciclo global do mercúrio e os fatores relacionados a ele. Principalmente, quando pensamos no Antropoceno, nos impactos dos seres humanos sobre a Terra. Nesse ambiente de transição energética e de mudanças climáticas, é importante que os governos estejam envolvidos na questão também”, analisa o pesquisador.

O encontro da ABC, que este ano tem como eixo central a ciência oceânica, continua até 7 de maio e reúne pesquisadores do Brasil e do exterior. A edição é coordenada pelo acadêmico Luiz Drude de Lacerda, doutor em biologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e professor titular do Instituto de Ciências do Mar da Universidade Federal do Ceará (Labomar-UFC).

“O oceano tem um papel central no funcionamento do planeta, não apenas do ponto de vista ambiental, mas também para o sustento e o bem-estar de milhões de pessoas. No entanto, esse sistema vem sendo submetido a pressões crescentes, como a poluição, a exploração intensiva de recursos e os efeitos das mudanças climáticas, o que coloca em risco suas condições naturais”, diz Luiz Drude de Lacerda. 

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários
Foto: Defesa Civil
Geral Há 8 minutos

Defesa Civil inicia capacitação de voluntários com mais de 3 mil inscritos de todo o País

Curitiba, Ponta Grossa e Londrina foram os municípios com o maior número de interessados. Candidatos podem acessar as aulas e os conteúdos online até o dia 1º de junho. A atuação de voluntários é essencial em situações de desastre como o tornado em Rio Bonito do Iguaçu.

Da universidade para os gramados: UEPG terá curso de Tecnologia em Futebol Foto: João Pizani
Geral Há 11 minutos

Da universidade para os gramados: UEPG terá curso de Tecnologia em Futebol

Curso superior visa formar profissionais para atuar no planejamento tático, arbitragem, preparação física e gestão do futebol. A criação do curso partiu de uma demanda da Secretaria do Esporte do Paraná e foi aprovada na reunião do Conselho Universitário na quinta-feira (23). A primeira turma inicia já em agosto de 2026.

Paraná apresenta políticas de inclusão e acessibilidade em encontro nacional Foto: Prefeitura de Osasco
Geral Há 13 minutos

Paraná apresenta políticas de inclusão e acessibilidade em encontro nacional

Ações foram apresentadas no II Encontro Nacional de Cidades Inclusivas para Famílias Sustentáveis. O evento reuniu gestores públicos, especialistas e representantes da sociedade civil para debater políticas voltadas ao fortalecimento das famílias e ao desenvolvimento urbano sustentável.

Agentes de viagem de todo o Brasil estão conhecendo o turismo do Paraná presencialmente Foto: Viaje Paraná
Geral Há 16 minutos

Agentes de viagem de todo o Brasil conhecem belezas e destinos turísticos do Paraná

Trata-se de uma Famtour, uma viagem de familiarização, organizada pela BWT Operadora e com apoio do Viaje Paraná. Desde o último sábado, cerca de 200 profissionais de diversos estados estão visitando destinos e atrativos paranaenses. Na quinta e sexta-feira eles participam de um evento imersivo no MON, em Curitiba.

UEL recebe R$ 2 milhões do Estado para projeto de inovação tecnológica em saúde única Foto: Agência UEL
Geral Há 1 hora

UEL recebe R$ 2 milhões do Estado para projeto de inovação tecnológica em saúde única

O projeto “UEL One Health” promoverá abordagem integrada entre saúde, geração de soluções tecnológicas e inovação no ensino. Recurso é da Fundação Araucária com cofinanciamento articulado junto às secretarias da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior e da Inovação e Inteligência Artificial.

Marechal Cândido Rondon, PR
21°
Parcialmente nublado
Mín. 19° Máx. 29°
21° Sensação
3.04 km/h Vento
73% Umidade
0% (0mm) Chance chuva
07h00 Nascer do sol
18h05 Pôr do sol
Quinta
29° 20°
Sexta
25° 15°
Sábado
15° 10°
Domingo
12°
Segunda
16°
Publicidade
Publicidade
Publicidade
Economia
Dólar
R$ 4,91 +0,00%
Euro
R$ 5,74 +0,14%
Peso Argentino
R$ 0,00 +0,00%
Bitcoin
R$ 429,328,46 +1,14%
Ibovespa
186,753,81 pts 0.62%
Publicidade
Publicidade
Enquete
...
...
Lenium - Criar site de notícias