
Pesquisadores do Instituto Etíope de Pesquisa Agrícola ( EIAR ), apoiados por assessores e conselheiros de cooperação e pelo representante da Agência Brasileira de Cooperação na Embaixada do Brasil em Adis Abeba, Junedien Jemal, esteve entre os primeiros visitantes da Estande da Embrapa na AgroBrasília 2026.
Na manhã de 19 de maio, eles percorreram uma vitrine de tecnologias da Embrapa em uma missão técnica voltada à ampliação do intercâmbio entre pesquisadores da Etiópia e do Brasil, ao fortalecimento das relações institucionais e à construção de uma cooperação de longo prazo.
A delegação conheceu cultivares de hortaliças, como alface, tomate e cebola — entre elas o lançamento BRS Belatriz —, com explicação do pesquisador Raphael Mello. O analista da Embrapa Cerrados José Maria Camargos apresentou as principais características da cultivar de mandioca de mesa BRS 429 e explicou como as variedades são selecionadas no programa de melhoramento genético participativo, desenvolvido com produtores e extensionistas rurais.
Os visitantes também conheceram cultivares de feijão carioca e feijão preto, como novas variedades de trigo tropical BRS Savana e BRS Cracker , cultivares de soja — entre elas a BRS 7583, que será lançada durante a feira —, forrageiras gramíneas e leguminosas, além de bovinos Nelore BRGN, consórcios e sistemas de Integração Lavoura-Pecuária.
Na quarta-feira, foi lançado o livro Transferência de Tecnologia e Inovação da Embrapa: Situação atual, experiências de sucesso e perspectivas , que reúne casos de 43 centros de pesquisa da empresa. A diretora de Inovação, Negócios e Transferência de Tecnologia da Embrapa, Ana Euler, autora da apresentação da publicação, destacou a importância da iniciativa dos editores técnicos Fábio Faleiro e Sara Rios, pesquisadores da Embrapa Cerrados e da Embrapa Milho e Sorgo, respectivamente, como forma de fortalecer as ações da Embrapa junto aos seus públicos.
“Um dos diferenciais da Embrapa é que, quando ela foi criada, há 53 anos, apesar de ser uma empresa de pesquisa, ela já nasceu com uma área de transferência de tecnologia – que faz o elo entre a pesquisa e os principais atores do setor”, lembra. Segundo a diretora, o livro atualiza as transformações pelas quais essa área passou ao longo da história da empresa.
Faleiro informa que o projeto surgiu a partir do registro do primeiro encontro de chefes de Transferência de Tecnologia da Embrapa, realizado em 2024, que incluiu uma visita à AgroBrasília.
A pesquisadora Sara Rios explica que os editores receberam 160 propostas dos centros de pesquisa da Embrapa para compor o capítulo dedicado ao fortalecimento, valorização e potencialização das ações de negócios, transferência de tecnologia e inovação, organizadas em onze temas. “O objetivo é que a publicação fosse uma entrega de propostas não apenas para a Embrapa, mas para o fortalecimento da agenda de transferência de tecnologia no âmbito do sistema nacional de pesquisa agropecuária”, afirma.
Na mesma manhã, a diretora participou da mesa de debate “Inovações digitais e serviços da Ater”, quando apresentou uma parceria com o Ministério da Gestão e Inovação em Serviços Públicos (MGI) e a Agência Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural (Anater).
Por meio dessa parceria, soluções digitais da Embrapa, como o e-Campo, a Ater+Digital, o Agritempo e o Zarc - Plantio Certo, serão integradas à plataforma Meu Imóvel Rural , com acesso pelo portal Gov.br. O objetivo é facilitar o acesso dos produtores rurais aos principais documentos e informações de propriedades e posses rurais no Brasil, além de informações e conhecimentos técnicos que apoiem o trabalho no campo e a gestão da propriedade.
De acordo com o coordenador-geral do Cadastro Ambiental Rural do MGI, Carlos Guedes, já está em andamento a integração da plataforma com o Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc). Assim, a partir da localização da propriedade informada pelo produtor, serão indicadas as épocas de plantio recomendadas para a região. Além disso, o WebAmbiente está sendo ajustado para oferecer recomendações de espécies vegetais e estratégias de recomposição ambiental dentro da plataforma.
O coordenador de articulação da Anater, Marcelo Alexandrino, ressaltou que a plataforma Minha Ater Digital , lançada há duas semanas durante a Feira Brasil na Mesa, já oferece oito trilhas temáticas de aprendizagem, que funcionam como cursos de longa duração específicas ao público da extensão rural. “A meta é capacitar 10 mil extensionistas brasileiros e outros 1.500 de países africanos”, explica. Segundo Alexandrino, a iniciativa tem como objetivo, assim como o Meu Imóvel Rural, facilitar o trabalho dos extensionistas rurais de instituições públicas e privadas.
Quase 20% do território do Distrito Federal está ocupado por pastagens. Dos 110 mil hectares existentes, mais da metade (64 mil hectares) apresenta algum tipo de manipulação. Considerando que mais de 80% do rebanho brasileiro é criado a pasto, o setor precisa se atentar a esse cenário. Com essa provocação, o pesquisador da Embrapa Cerrados Marcelo Ayres abriu a programação do auditório do Ambiente de Inovação e Tecnologia (AiTec) na AgroBrasília 2026, com a palestra “Se até o boi mudou, por que sua pastagem continua a mesma?”.
Ayres apresentou novas opções de forrageiras consideradas ferramentas importantes para modernizar a pecuária do Distrito Federal, Entorno e outras regiões do País. Dados apresentados pelo pesquisador mostram que a escolha da forrageira pelo produtor é feita principalmente com base no preço da semente, que representa apenas 10% do custo total de implantação do pasto. Questionado sobre as razões para isso, ele explicou que se trata de uma questão cultural, já que o pecuarista tende a ser mais tradicional, além da falta de compreensão sobre os impactos positivos que novas forrageiras podem trazer ao campo.
O estudante de Zootecnia Daniel Carneiro questionou a dificuldade de adoção de consórcios de forrageiras e leguminosas. “Pelo que pude obter de informações, os pontos críticos do consórcio são as diferentes exigências, principalmente nutricionais e de solo, para cada tipo de planta, mas principalmente a dificuldade do produtor rural em manejo, pois o consórcio dificulta significativamente o manejo de plantas tão específicas”. O pesquisador relatou a maior complexidade do manejo, mas destacou as vantagens, tanto na qualidade quanto na quantidade de pasto, com efeito residual da leguminosa sobre a produtividade da pastagem por até dois anos.
Já o produtor rural Janduí Mendes, proprietário no Maranhão, buscou no encontro com os pesquisadores da Embrapa uma solução para sua região: “Fiquei sabendo sobre a BRS Sarandi, de Andropogon, para o início do período das águas, já que ele é o capim que rebrota mais rápido com o início das chuvas”. Mendes, que também é estudante do curso técnico em Agronegócio do Senar, afirmou que pretende adotar, além da BRS Sarandi, alguma braquiária para o período de fim das águas, conforme orientação recebida no evento.
O pesquisador Robélio Marchão participou do Circuito Agricultura Regenerativa, no espaço Sabores e Saberes do Campo, do Senar e Sebrae. Trata-se de uma série de encontros para troca de conhecimentos e experiências e debates entre produtores rurais, técnicos e especialistas sobre produtividade, saúde do solo, redução de custos e sustentabilidade.
Complementando a discussão sobre bioinsumos, Marchão apresentou a Integração Lavoura-Pecuária (ILP) como uma opção para agricultura regenerativa. "Um bom manejo de solo é uma base para obter insumos alternativos. Em solos ruins, esses produtos não têm uma boa eficiência", faz o alerta para os produtores.
O pesquisador destacou ainda a importância da diversificação de espécies na propriedade para redução dos custos de produção, especialmente neste momento em que os preços das commodities estão em baixa. “No caso da Integração Lavoura-Pecuária, ela melhora a eficiência do uso de nutrientes, aumenta a produtividade, reduz a influência de previsões e doenças e melhora a qualidade do solo”, informa o pesquisador, apontando essa como uma tecnologia que traz vários benefícios para os produtores da região.
Uma parceria com a Rota das Frutas Ride-DF, coordenada pela Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), mobilizou produtores rurais da região nos dois dias de feira. OI Encontro da Baunilha do DF promove o debate “Oportunidades e desafios no cultivo de baunilha no Cerrado brasileiro”. Participaram da discussão do produto Anajulia Heringer, também presidente da Associação dos Produtores de Baunilha do Cerrado, Carlos Morais, extensionista da Emater-DF, e Roberto Vieira, pesquisador da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia.
No segundo dia da AgroBrasília, o treinamento foi voltado ao mirtilo, fruta de clima temperado que já é produzida no Distrito Federal. A II Conexão Mirtilo contou com o consultor William Alves, que apresentou orientações técnicas aos produtores sobre poda, estratégias de adubação e manejo da colheita e da supervisão para alta produtividade. O treinamento terá um segundo encontro, desta vez na Fazenda Berryland, em Sobradinho (DF).
Nesta quinta-feira, estão previstos os lançamentos da cebola BRS Belatriz e da cultivar de soja convencional BRS 7583 no estande da Embrapa. A AgroBrasília segue até sábado (23), no Parque Tecnológico Ivaldo Cenci, no PAD-DF, com entrada franca.
Juliana Miura (MTb 4563/DF)
Embrapa Cerrados
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