Quarta, 11 de Março de 2026
19°C 29°C
Marechal Cândido Rondon, PR
Publicidade

Edição gênica melhora a digestibilidade do feijão

Analista de laboratório da Embrapa Arroz e Feijão Gesimaria Ribeiro com a primeira geração de plantas de feijão editadas geneticamente

Por: Redação Fonte: Embrapa
19/11/2024 às 08h58
Edição gênica melhora a digestibilidade do feijão
Foto: Rodrigo Peixoto
  • Cientistas eliminaram da planta do feijão dois genes relacionados à produção de oligossacarídeos (carboidratos) da família rafinose.
  • Esse tipo de composto causa desconforto digestivo e flatulência em humanos.
  • O trabalho de pesquisa se baseou no conhecimento do genoma do feijão e no domínio da ferramenta de engenharia genética CRISPR.
  • É a primeira vez que a técnica é utilizada para desenvolvimento de variedade de feijão com menos fatores antinutricionais.
  • A próxima etapa do estudo, já em andamento, é o avanço de gerações de plantas editadas com os genes da rota de rafinose desativados.
  • A expectativa é a obtenção de variedades de feijão mais saudáveis e atrativas para produtores e consumidores.

 

Uma equipe de pesquisadores da Embrapa realizou, pela primeira vez, a edição gênica em feijão para o desenvolvimento de uma nova variedade com menos fatores antinutricionais, ligados a um grupo de substâncias chamado rafinose, um tipo de composto conhecido por causar desconforto digestivo e flatulência em humanos. Os cientistas conseguiram eliminar genes relacionados à produção de oligossacarídeos (carboidratos) da família rafinose, a partir do conhecimento do genoma do feijão e do domínio de ferramentas de engenharia genética de sistemas CRISPR (sigla em inglês para Repetições Palindrômicas Curtas Agrupadas e Regularmente Interespaçadas).

Dois genes do genoma da planta foram desativados, de acordo com os pesquisadores da Embrapa Arroz e Feijão (GO) em Biologia Molecular Josias Correa e Rosana Vianello, coordenadores do estudo inédito. Rosana conta que a pesquisa analisou os teores de oligossacarídeos do grupo rafinose em diferentes tecidos e fases de desenvolvimento da planta de feijão. Essas informações foram avaliadas em relação ao conhecimento já produzido pelo estudo do genoma do feijão, sequenciado há quase dez anos.

O objetivo foi conhecer o padrão de expressão dos genes alvo potenciais que estariam por trás da biossíntese de rafinose. Nesse processo, os pesquisadores investigaram o padrão de expressão de genes, e dois deles, rafinose e estaquiose – outro oligossacarídeo de difícil digestão –, foram identificados e inativados. Esses genes tiveram sua expressão bloqueada, por meio da adaptação de ferramentas de edição gênica de sistemas CRISPR.  

Vianello considera que a técnica CRISPR é revolucionária para edição gênica. “No caso de características relacionadas à qualidade tecnológica e nutricional de grãos, a técnica emerge como uma importante ferramenta para editar genes específicos e, com isso, realizar um melhoramento de precisão, abrindo novas perspectivas para o desenvolvimento de variedades mais atrativas para produtores e consumidores”, afirma.

Equipe responsável pelo trabalho: pesquisadores Josias Correa e Rosana Vianello e o bolsista Dener Lucas dos Santos. Foto: Rodrigo Peixoto

Gerações de plantas editadas

Segundo a pesquisadora, a próxima etapa desse estudo, já em andamento, é o avanço de gerações de plantas editadas com os genes da rota de rafinose desativados. Isso implica, em ambiente controlado de casa de vegetação, o plantio de sementes, o crescimento de plantas, a colheita e o replantio de sementes. A intenção, como em todo processo de melhoramento genético, é tornar estável a herdabilidade da nova característica.

“A geração editada T0 está produzindo sementes T1. Vamos plantar T1 e esperamos que a edição seja transmitida para a próxima geração. Somente com o avanço das gerações, de T1 para T2 e de T2 para T3, teremos as edições em homozigose (o que torna a característica editada com herdabilidade estável) e poderemos avaliar o fenótipo das plantas (conjunto de características resultante da interação com o ambiente), além de testar linhagens em diferentes locais que poderão se tornar uma nova variedade”, destaca Vianello.

A partir dos testes de fenotipagem é que também poderá ser determinado o quão significativa foi a redução da presença de teores de rafinose no grão de feijão. Todo esse trabalho pode levar ao lançamento de uma variedade editada geneticamente em um período entre cinco a oito anos.

Essa pesquisa faz parte de um projeto intitulado: “Desenvolvimento e aplicação de novas soluções biotecnológicas no melhoramento genético do feijão-comum”, financiado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), sob a liderança do pesquisador da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia Francisco Aragão.

 

Sistema digestivo humano não digere moléculas da família rafinose

O feijão é fonte de aminoácidos, fibras e minerais importantes para a saúde. Apesar disso, o grão, assim como outros alimentos, possui fatores antinutricionais, a exemplo de ácido fítico, taninos e carboidratos do tipo oligossacarídeos, do qual a família da rafinose faz parte. O sistema digestivo humano não produz as enzimas necessárias para digerir moléculas da família rafinose.

Apesar disso, existem microrganismos no trato intestinal capazes de digeri-la, mas, nesse processo, a fermentação pode resultar na produção de dióxido de carbono, hidrogênio e metano, que são componentes causadores de flatulência. Além do feijão, outros alimentos que também contêm rafinoses são lentilha, repolho, brócolis, aspargo, couve-de-bruxelas e grãos integrais.

Uma das alternativas mais comuns para melhorar a digestão, no caso do feijão, é o que se pode fazer em casa: colocar os grãos de molho de um dia para o outro e trocar a água de imersão. A pesquisa realizada reduz fatores antinutricionais como as rafinoses, uma vez que houve a eliminação de genes na planta que acionam a rota de produção desses compostos.  

 

Foto: Paulo Lanzetta

 

 

“Tesoura molecular” para cortar DNA

A engenharia genética ganhou nova perspectiva a partir de sistemas baseados em CRISPR. O processo de edição de material genético passou a ser mais ágil e preciso, abrindo possibilidades para a geração de novos produtos, não apenas na alimentação, mas também cultivares e bioinsumos que podem ajudar a combater pragas e doenças no campo ou tornar plantas mais tolerantes ao veranico, por exemplo.

O conhecimento que possibilita usar sistemas CRISPR, uma espécie de guia para as pesquisas atuais, é fruto de um trabalho publicado em 2012 por duas cientistas: Emmanuelle Charpentier, do Instituto Max Planck de Biologia das Infecções, e Jennifer A. Doudna, bioquímica da Universidade da Califórnia.

Elas lançaram uma espécie de passo a passo de como aplicar técnicas baseadas em CRISPR que funcionam como uma “tesoura”, sendo possível cortar uma parte específica do DNA, fazendo com que a célula produza ou não determinadas moléculas. Por causa disso, Charpentier e Doudna ganharam o Prêmio Nobel de Química de 2020.

 

 

 
 

Rodrigo Peixoto (MTb 1.077/GO)
Embrapa Arroz e Feijão

Contatos para a imprensa

Telefone: (62) 98127-3107

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários
Assessoria
Concurso Há 12 horas

Abertas as inscrições para Concurso Público na prefeitura de Marechal Cândido Rondon

Estão abertas as inscrições para o Concurso Público nº 001/2026 da prefeitura de Marechal Cândido Rondon. O certame é destinado ao preenchimento de vagas e também à formação de cadastro de reserva em diversas áreas da administração municipal.

Assessoria
Adetur Há 13 horas

Comunidade aponta demandas para o Plano de Envolvimento do Entorno do Parque Nacional do Iguaçu

Oficinas foram abertas à participação de representantes de 14 municípios lindeiros à unidade de conservação

Assessoria
Geral Há 1 dia

Conselho da Mulher Empresária promove mais uma edição da Feira Ponta de Estoque

Tradicional evento de queima de estoques do comércio varejista de Marechal Cândido Rondon será realizado no dia 14 de março (sábado), das 13h às 20h.

Empresa promove ações de valorização do público interno feminino. Foto: Daniel Snege.
Itaipu Há 2 dias

No Mês das Mulheres, Itaipu reafirma compromisso com a igualdade de gênero e o empoderamento feminino

Iniciativas abrangem enfrentamento à violência, inclusão social, formação profissional e equidade de oportunidades

Professores da rede estadual podem se inscrever no curso de Brigadista Escolar até quarta Foto: SEED
Educação Há 5 dias

Professores da rede estadual podem se inscrever no curso de Brigadista Escolar até quarta

Inscrições vão até 11 de março. A etapa EaD será realizada em março e abril, e a fase prática em maio e junho. Formação prepara profissionais das escolas estaduais, municipais e da educação especial para atuação em situações de emergência no ambiente escolar. Mais de 86 mil servidores já receberam certificados desde a criação do programa, em 2012.

Marechal Cândido Rondon, PR
25°
Tempo nublado
Mín. 19° Máx. 29°
26° Sensação
2.62 km/h Vento
78% Umidade
0% (0mm) Chance chuva
06h35 Nascer do sol
18h56 Pôr do sol
Quinta
27° 19°
Sexta
31° 19°
Sábado
31° 20°
Domingo
33° 21°
Segunda
34° 21°
Publicidade
Publicidade
Publicidade
Economia
Dólar
R$ 5,16 -0,16%
Euro
R$ 5,96 -0,63%
Peso Argentino
R$ 0,00 +0,00%
Bitcoin
R$ 384,883,78 +0,51%
Ibovespa
183,969,34 pts 0.28%
Publicidade
Publicidade
Enquete
...
...
Lenium - Criar site de notícias