Terça, 07 de Abril de 2026
20°C 29°C
Marechal Cândido Rondon, PR
Publicidade

Fungicidas podem eliminar microrganismos essenciais para abelhas sem ferro

Os fungicidas podem interferir com os microrganismos externos às abelhas. Na foto, exemplar da abelha sem ferro Scaptotrigona depilis, objeto do estudo.

Por: Redação Fonte: Embrapa
07/04/2026 às 09h20
Fungicidas podem eliminar microrganismos essenciais para abelhas sem ferro
Foto: Cristiano Menezes
  • Foram treinados os efeitos de um fungicida biológico e outro químico sobre microrganismos presentes no alimento das larvas de abelhas.
  • No caso, os microrganismos são fungos primordiais para o desenvolvimento das larvas da espécie de abelhas sem ferro Scaptotrigona depilis.
  • Concentrações divulgadas do produto biológico estimularam o crescimento fúngico, ou seja, favoreceram o desenvolvimento de fungos simbiontes.
  • Porém, concentrações mais elevadas reduzem o crescimento fúngico, mostrando que mesmo produtos biológicos podem ter efeitos negativos quando em excesso.
  • O impacto do uso de fungicida químico foi significativamente mais severo, pois inibiu completamente o complexo fúngico associado às larvas.
  • O estudo alerta sobre a importância da realização de testes ecotoxicológicos com abelhas nativas, tanto para inseticidas quanto para fungicidas.

 

Pesquisa realizada na Embrapa Meio Ambiente (SP) com a abelha sem ferro Scaptotrigona depilis avaliou os efeitos de dois tipos de fungicidas, um químico e outro biológico, sobre o complexo fúngico presente no alimento larval (mistura de pólen e produtos glandulares preparados pelas operárias para alimentar as larvas) dessa espécie. Os resultados demonstraram que os fungicidas considerados no estudo, amplamente utilizados na agricultura, afetaram fungos simbiontes fundamentais para o desenvolvimento das larvas, pois atuam na digestão e não fornecem nutrientes.

Embora os impactos de inseticidas sejam amplamente planejados, o estudo comprovou que fungicidas — muitas vezes considerados menos contratados — também podem afetar organismos essenciais à sobrevivência das abelhas, especialmente os microrganismos simbiontes, ou seja, aqueles que vivem em associação íntima com outras espécies de forma mutualística, em uma relação que traz benefícios a ambos.

A pesquisadora Simone Prado , da Embrapa Meio Ambiente, explica que o estudo testou diferentes concentrações dos dois fungicidas e acompanhou o desenvolvimento dos fungos por meio da contagem de esporos e de análises moleculares para detectar a presença de dois simbiontes-chave: Monascus ruber e Zygosaccharomyces sp.

Os resultados revelaram efeitos diferentes dos produtos. No caso do fungicida biológico, as contribuições estimularam o crescimento fúngico. Doses de 0,2 g/L e 0,66 g/L resultaram em maior esporulação (formação dos esporos) do fungo em comparação ao controle. Isso indica que, nessas condições, o produto não apenas preservou, como favoreceu o desenvolvimento de fungos simbiontes.

Em contrapartida, a concentração mais elevada do fungicida biológico prejudicial ao crescimento fúngico. Esse resultado mostra que mesmo produtos biológicos podem ter efeitos negativos quando usados ​​em excesso.

Já o fungicida químico apresentou impacto significativamente mais severo. Em concentrações iguais ou superiores a 2 g/L, o produto químico inibiu completamente a esporulação dos fungos presentes no alimento larval, diferindo de forma estatisticamente significativa do controle. As análises moleculares confirmaram esse efeito: quando utilizadas três doses maiores do produto químico, não foi detectada a presença de fungos simbiontes, evidência da eliminação total do complexo fúngico associado às larvas.

As doses no estudo foram definidas com base nas taxas recomendadas para cada produto ser aplicado em campo, ou seja, dentro de faixas realistas de exposição, com o fim de garantia de relevância agronômica e ecológica dos testes comparativos. “Assim, a dose de 2 g/L do fungicida químico não é feita diretamente em termos absolutos com 0,2 g/L do biológico, porque são formulações diferentes, possuem concentrações de ingredientes ativos distintos e têm recomendações de uso diferentes”, explica Jenifer Ramos, bolsista da Embrapa Meio Ambiente.

Segundo os pesquisadores, esses resultados reforçam a preocupação com o uso incluído de fungicidas químicos, pois podem comprometer relações simbióticas essenciais à saúde das abelhas sem ferro. Embora não causem mortalidade imediata, esses produtos podem afetar processos invisíveis, mas específicos, como o desenvolvimento larval e a manutenção das colônias.

Por outro lado, o fungicida biológico demonstrou menor impacto sobre os microrganismos simbiontes, mantendo a presença dos mesmos fungos em concentrações elevadas. Isso indica que alternativas biológicas podem ser mais compatíveis com a conservação de polinizadores e com práticas agrícolas sustentáveis.

Cristiano Menezes , pesquisador da Embrapa Meio Ambiente, destaca que os ensaios ecotoxicológicos de defensivos químicos e biológicos são fundamentais para garantir a preservação das abelhas, mas precisam ser aprimorados para serem mais representativos. “A pesquisa reforça a necessidade de incluir as abelhas nativas nesses ensaios, pois atualmente os testes são feitos apenas com abelhas exóticas”.

O pesquisador também ressalta a necessidade de testes em abelhas para fungicidas e defensivos biológicos, regra que atualmente só se aplica a inseticidas químicos. Essas mudanças, segundo ele, são importantes porque os microrganismos associados às abelhas são fundamentais para manter sua saúde e nutrição. Assim, produtos de menor impacto para a manutenção dos serviços de polinização, que são necessários para a produção agrícola e para o equilíbrio dos ecossistemas.

 

Autoria

Os autores do estudo “ Efeitos de Fungicidas no Complexo Fúngico do Alimento Larval de  Scaptotrigona depilis  , apresentado no 18º Simpósio de Controle Biológico em 2025, são os pesquisadores e bolsistas da Embrapa Meio Ambiente: Simone Prado, Jenifer Dias Ramos, Adalgisa Thayne Ramos, Ana Carolina Queiroz, Mário Ortolan Alves, Artur Castagna, Guilherme Campanha e Cristiano Menezes.

 

 
 

Cristina Tordin (MTB 28499/SP)
Embrapa Meio Ambiente

Consultas da imprensa

Número de telefone: 19 992626751

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários
© Marcello Casal JrAgência Brasil
Geral Há 51 minutos

Mega-Sena sorteia nesta terça-feira prêmio acumulado em R$ 15 milhões

Apostas podem ser feitas até as 20h, horário de Brasília

Assessoria
Vendaval Há 2 horas

Trecho da rodovia entre o Clube Lira e Novo Horizonte permanece interditado

Em virtude dos ventos fortes registrados no final da tarde desta segunda-feira, dia 6, algumas árvores se quebraram e caíram sobre a pista, no trecho entre o Clube Lira e o trevo de acesso ao Contorno Oeste e ao distrito de Novo Horizonte, nas proximidades da propriedade de Silverio Stapenhorst.

CBH do Alto Ivaí discute contratação de plano de bacia e criação de área de proteção ambiental Foto: Denis Ferreira Netto/SEDEST
Geral Há 3 horas

CBH do Alto Ivaí discute plano de bacia e criação de área de proteção ambiental

12ª reunião ordinária do Comitê da Bacia Hidrográfica ocorre na sexta-feira (11), às 9 horas, de forma remota, com transmissão simultânea pelo YouTube. As atividades integram o plano de trabalho da Diretoria de Saneamento Ambiental e Recursos Hídricos do Instituto Água e Terra (IAT).

Foto: Gaby Smek/SEFA
Geral Há 3 horas

Declaração de Conteúdo Eletrônica agora é obrigatória em todo o País

Com a obrigatoriedade em vigor, pessoas físicas e empresas não contribuintes do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) devem emitir a DC-e antes do início do transporte sempre que não houver exigência de nota fiscal.

Assessoria
Geral Há 3 horas

Maratona Internacional do Paraná terá versão para crianças e adolescentes no Litoral

Os percursos da Maratoninha variam de 100 a 800 metros, de acordo com a idade dos participantes. As largadas serão organizadas por faixas etárias: 4 a 6 anos, 7 a 9 anos e 10 a 13 anos.

Marechal Cândido Rondon, PR
25°
Tempo nublado
Mín. 20° Máx. 29°
25° Sensação
5.66 km/h Vento
68% Umidade
100% (26.9mm) Chance chuva
06h47 Nascer do sol
18h29 Pôr do sol
Quarta
21° 19°
Quinta
25° 16°
Sexta
27° 19°
Sábado
29° 18°
Domingo
22° 18°
Publicidade
Publicidade
Publicidade
Economia
Dólar
R$ 5,16 +0,20%
Euro
R$ 5,96 +0,34%
Peso Argentino
R$ 0,00 +0,00%
Bitcoin
R$ 374,042,07 -1,77%
Ibovespa
187,269,42 pts -0.47%
Publicidade
Publicidade
Enquete
...
...
Lenium - Criar site de notícias