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Abelhas da Itaipu inspiram ciência e brindam público no maior festival de divulgação científica do planeta

Cerveja oficial da etapa de Foz do Pint of Science foi produzida com leveduras das abelhas do Refúgio Biológico Bela Vista

Por: Redação Fonte: Itaipu
20/05/2026 às 18h33
Abelhas da Itaipu inspiram ciência e brindam público no maior festival de divulgação científica do planeta
Crédito das fotos: Rafa Kondlatsch/Itaipu Binacional.

As abelhas do Refúgio Biológico Bela Vista (RBV), da Itaipu Binacional, ganharam os holofotes na etapa de Foz do Iguaçu do Pint of Science, maior festival de divulgação científica do mundo.

A cerveja oficial do evento na cidade, a ItaiIPA, foi produzida a partir de leveduras coletadas em colmeias de abelhas nativas Jataí (Tetragonisca fiebrigi), no Refúgio da Itaipu, em parceria entre a pesquisadora da USP Carola Carvalho e a Cervejaria Kiun. O resultado foi uma cerveja leve (apenas 3,7 de teor alcoólico), saborosa, que reúne biodiversidade, pesquisa e conservação da Mata Atlântica.

Carola se intitula caçadora de leveduras. “Eu trabalho com leveduras selvagens e uma das minhas linhas de pesquisa é de leveduras de abelhas nativas. Em uma das vezes que vim para Foz, fiquei sabendo que existia um meliponário no Refúgio Biológico e entrei em contato com a Itaipu para conseguir a autorização para coletar amostras. Conheci todo o espaço e foi muito interessante ver que na Itaipu existe toda essa preocupação com a conservação”, contou.

A cientista trouxe ao público do PintFoz a palestra “Da Colmeia ao universo: sonhos de uma levedura viajante”’. Ela falou na noite desta terça-feira (19), no Mercado Público Barrageiro, sobre Space Beer Project, trabalho do qual é idealizadora e que une cultura cervejeira, astrobiologia e biotecnologia. O estudo investiga a relação de leveduras selvagens em contextos de exploração espacial e produção de alimentos e bebidas, inclusive cerveja, fora do planeta.

“A área dentro de uma espaçonave é muito limitada, então temos que pensar em como ter coisas que são básicas para a sobrevivência, como comida, água, combustível e fármacos. E como levar tudo isso? Uma das ideias é ter micro-organismos que sirvam como biofábricas. Um deles é a levedura, que já é conhecida da humanidade há milhares de anos. Aí veio a ideia do Space Beer. Nós vamos desbravar o universo com um copo de cerveja na mão”, brincou.

Na projeção da colonização de outros astros, a pesquisadora explicou que “alguns tipos de leveduras são extremófilos, ou seja, conseguem sobreviver em situações extremas. São super adaptáveis a essas condições. Se esse micro-organismo consegue existir nessas condições inóspitas, também vai sobreviver aos ambientes de outros planetas”, disse. 

O técnico ambiental Lucas Tres, empregado da Divisão de Áreas Protegidas (MARP.CD) e responsável pelos projetos de conservação de abelhas no RBV, contou que a descoberta da cientista de que esses micro-organismos também tinham potencial para a produção de cerveja reforçou como as abelhas podem contribuir para diferentes áreas da ciência e da biotecnologia. “Além de fazerem parte da saúde da colônia e da produção do mel, as leveduras mostraram potencial para gerar produtos que podem ser utilizados pelas pessoas”, afirmou.

Lucas destacou ainda que o projeto de conservação das abelhas nativas do Refúgio Biológico existe desde 2018 e atualmente conta com cerca de 200 caixas de 12 espécies distribuídas em cinco meliponários. O trabalho busca preservar espécies fundamentais para a manutenção da Mata Atlântica, fortemente afetadas pelo desmatamento e pelo uso de agrotóxicos. Ele também ressaltou que a participação no Pint of Science ajuda a aproximar o público da pesquisa científica e da conservação ambiental. “Trazer as abelhas para um evento como esse facilita que mais pessoas entendam a importância desses animais para o equilíbrio ecológico e para a nossa própria sobrevivência”, disse.

A estudante de veterinária Gabrielly Vitoria Zilli acompanhou a palestra e se surpreendeu com a proposta de utilizar leveduras selvagens em projetos ligados à exploração espacial. “Achei incrível essa ideia, ainda mais sabendo que algumas leveduras foram extraídas aqui de Foz, no Refúgio Biológico”, comentou.

Gabrielly elogiou ainda o formato do Pint of Science. “Aqui as pessoas podem conversar, comer, beber e aprender ao mesmo tempo. Isso deixa a ciência mais próxima de todo mundo”, afirmou.

Ciência com diversão

O Pint of Science surgiu em 2013, no Reino Unido, com a finalidade de promover a aproximação entre a ciência e a sociedade por meio de um diálogo acessível entre pesquisadores e o público, em locais informais, a fim de despertar o interesse pela ciência e tecnologia.

A edição de 2026 acontece nesta semana, entre 18 e 21 de maio, em quase 400 cidades de todo o mundo, com o lema “Um Brinde à Ciência”. Em Foz do Iguaçu, o evento é realizado pela Universidade da Integração Latino-Americana (Unila), com apoio do Itaipu Parquetec, Parque Nacional do Iguaçu/ICMBio e Parque das Aves.

Marco Polo Gomes de Azevedo é o coordenador do PintFoz desde 2024. “A ideia é levar ciência, conhecimento e diálogo para fora das universidades, em locais descontraídos, como o Mercado Público Barrageiro e outros bares da cidade. A gente vê com muita importância essa aproximação da população com a academia para que as pessoas possam saber quem são os pesquisadores, o que eles estão fazendo e o que há de legal sendo desenvolvido na região”, afirmou.

O Pint of Science volta à mesa do Mercado Público Barrageiro nesta quinta-feira (21), a partir das 19h, com entrada gratuita e novas discussões que prometem aproximar ainda mais a ciência do cotidiano do público. Kananda Eller aborda o tema “Ciência decolonial” e Cláudio Alexandre de Souza, pesquisador da Unioeste, percorre as profundezas do cérebro humano para responder “De onde vem a criatividade?”.

 

Legendas:


 Pesquisadora da USP Carola Carvalho.


 Lucas Tres, responsável pelos projetos de conservação de abelhas no RBV.


Gabrielly Zilli, estudante de veterinária.

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