Quinta, 01 de Janeiro de 2026
21°C 29°C
Marechal Cândido Rondon, PR
Publicidade

Genética e inflamação na gravidez explicam lábio leporino

Estudo mostra relação entre a causa genética e a ambiental

Por: Redação Fonte: Agência Brasil
24/06/2023 às 10h40
Genética e inflamação na gravidez explicam lábio leporino

Estudo realizado em animais conseguiu demonstrar, pela primeira vez, como a interação gene-ambiente durante o desenvolvimento craniofacial do embrião pode dar origem à fissura labiopalatina. 

Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP), em colaboração com a University College London, do Reino Unido, conseguiram comprovar em modelo animal que a fenda lábio palatina, também conhecida como lábio leporino, ocorre como resultado da associação de dois eventos: um genético e outro provocado por inflamações durante a gravidez, no período de formação e desenvolvimento do embrião.

No Brasil, estima-se que essa malformação afeta uma criança em cada 650 nascimentos. Neste sábado,  24 de junho, é celebrado o Dia Nacional de Conscientização sobre a Fissura Labiopalatina, data marcada para informar sobre o problema e contribuir para a redução do preconceito.

Os pesquisadores acompanham famílias com casos de lábio leporino há anos e havia a suspeita de que para que ocorresse a malformação seria necessário um componente ambiental, além do genético, explica a pesquisadora do CEGH-CEL, Maria Rita Passos-Bueno, que coordenou a pesquisa publicada na Nature Communications.

“Ao fazer o sequenciamento genético dessas pessoas, vimos que, apesar de muitas delas terem a mutação no gene CDH1, uma parcela importante não apresentava a malformação. Faltava uma peça que explicasse por completo o que levava à ocorrência do lábio leporino”.

O gene CDH1 (que codifica a proteína E-caderina) é um dos exemplos em que uma mutação em um de seus alelos pode levar a ocorrência de lábio leporino e também a um tipo de câncer gástrico. 

“Vários estudos sugerem um padrão de herança multifatorial, que depende da interação de fatores ambientais e genéticos. Além disso, temos o conhecimento da interação/exposição a bactéria/inflamação e um determinado tipo de câncer gástrico associado a variante em CDH1. Por isso, resolvemos investir em busca de fatores ambientais. Escolhemos inflamação em função dos dados da literatura já associados às fissuras”.       

Mutação

A mutação interfere no processo de migração de células das cristas neurais, aquelas que são presentes no desenvolvimento do embrião e que se diferenciam para a formação de ossos, cartilagem, tecido conectivo da face, entre outros tipos celulares. Com o comprometimento da migração das cristas neurais durante o desenvolvimento embrionário, o processo de diferenciação é prejudicado, podendo causar o lábio leporino.

No entanto, como ressalta Passos-Bueno, essa variante sozinha não conseguia explicar completamente a questão hereditária do lábio leporino. "Quando há falta nos dois alelos de CDH1, o embrião morre. Já quando um alelo é normal e o outro mutável, é compatível com a vida e na maioria dos casos não há malformação", afirma Passos-Bueno.

Os pesquisadores passaram a investigar algum fator ambiental que pudesse contribuir com o processo. "Dados da população de pessoas com lábio leporino mostram que obesidade, diabetes e outras situações que são pró inflamatórias, como infecção materna (episódios de febre durante a gestação) são fatores de risco para a criança nascer com fissuras. Os resultados do estudo mostraram que moléculas inflamatórias, denominadas citocinas, induzem uma hipermetilação do gene CDH1", diz Passos-Bueno.

No caso da fissura labiopalatina, ocorreu a epigenética, ou seja, modificações bioquímicas nas células ocasionadas por estímulos ambientais (no caso a inflamação) que promovem a ativação ou o silenciamento de genes, sem provocar mudanças no genoma do indivíduo.

A metilação é uma modificação bioquímica que consiste na adição de um grupo metil à molécula do DNA por meio da ação de enzimas. Trata-se de um processo natural e necessário para o funcionamento do organismo, pelo qual a expressão dos genes é modulada. No entanto, quando desregulado, como no caso da hipermetilação do CDH1, pode provocar disfunções nas células e contribuir para o desenvolvimento de doenças e malformações.

No entanto, a pesquisa não pode mostrar quais tipos de inflamação, associadas à mutação, podem levar à malformação. “Não temos ainda claro quais são essas inflamações. Mas é importante ficar claro que um fator de risco ambiental sozinho não vai levar a fissura labial”, esclarece a pesquisadora.    

Experimento

No estudo, além dos testes in vitro realizados em células humanas, os pesquisadores fizeram experimentos em camundongo e rãs para provar que a inflamação estava provocando hipermetilação no gene CDH1. As células e os embriões de camundongos e rãs foram expostas a fatores ambientais, por meio de partículas de bactérias que produzem a inflamação. 

Depois, as fêmeas com cópias normais do gene também foram expostas à inflamação. Quando fêmeas com uma cópia mutada do gene foram expostas à inflamação, os pesquisadores observaram que a prole tinha defeitos na migração da crista neural, o que pode explicar o aparecimento da fissura. 

A pesquisa pretende, futuramente, identificar quais as inflamações, combinadas com a variante CDH1, podem levar à malformação. “Pretendemos investigar essa questão. A identificação de fatores que ativam a inflamação materna será importante para o estabelecimento de medidas preventivas para a fissura labio-palatina”, concluiu Passos-Bueno. 

O estudo foi realizado no Centro de Estudos do Genoma Humano e de Células-Tronco (CEGH-CEL) – um dos centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPIDs) financiados pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) - e o artigo Neural crest E-cadherin loss drives cleft lip/palate by epigenetic modulation via pro-inflammatory gene–environment interaction  foi publicado na revista Nature Communications

Edição: Graça Adjuto

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários
Assessoria
Copagril Há 2 dias

Copagril recebe primeira soja da safra 2025/2026 em dezembro e marca início antecipado da colheita no Oeste do Paraná

A Cooperativa Agroindustrial Copagril recebeu, no dia 22 de dezembro, a primeira carga de soja da safra 2025/2026, um marco considerado histórico pela área de cereais da Cooperativa.

Foto: Fernando Adegas
Embrapa Há 2 semanas

Bioherbicida à base de bactérias da Caatinga pode controlar plantas invasoras.

O uso de microrganismos e moléculas bioativas produzidas por eles surge como uma estratégia inovadora para reduzir a dependência de produtos químicos sintéticos. Na foto, plantação com ocorrência da buva

Paraná tem maior aumento do País na estimativa de produção de grãos em novembro Foto: Gilson Abreu/Arquivo AEN
Economia Há 3 semanas

Paraná tem maior aumento do País na estimativa de produção de grãos em novembro

De acordo com o Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA), divulgado nesta quinta-feira (11) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a produção local aumentou 214 900 t. Na sequência aparecem as variações no Mato Grosso (62 195 t), no Tocantins (40 530 t) e no Pará (31 552 t).

Valor Bruto da Produção Agropecuária do Paraná deve ultrapassar R$ 200 bilhões em 2025 Foto: Gilson Abreu/Arquivo AEN
Economia Há 3 semanas

Valor Bruto da Produção Agropecuária do Paraná deve ultrapassar R$ 200 bilhões em 2025

Segundo projeções do Deral, a marca de R$ 200 bilhões no VBP em 2025 será alavancada pelo salto da produção agrícola paranaense, especialmente com a safra recorde de grãos. Ao mesmo tempo, a pecuária paranaense mantém desempenho favorável.

Assessoria
Copagril Há 3 semanas

Copagril realiza lançamento interno do Agroshow 2026 e inicia preparação para o primeiro evento técnico do calendário agrícola paranaense

Com o tema “Raízes do Progresso”, a edição de 2026 reforça a importância dos fundamentos que sustentam a agricultura regional ao mesmo tempo em que incorpora inovação, tecnologia e práticas que impulsionam o futuro do agronegócio.

Marechal Cândido Rondon, PR
22°
Tempo nublado
Mín. 21° Máx. 29°
23° Sensação
0.77 km/h Vento
87% Umidade
100% (5.76mm) Chance chuva
05h50 Nascer do sol
19h28 Pôr do sol
Sexta
30° 20°
Sábado
31° 20°
Domingo
28° 18°
Segunda
25° 14°
Terça
27° 18°
Publicidade
Publicidade
Publicidade
Economia
Dólar
R$ 5,48 +0,00%
Euro
R$ 6,43 +0,00%
Peso Argentino
R$ 0,00 +0,00%
Bitcoin
R$ 513,986,52 +0,31%
Ibovespa
161,125,38 pts 0.4%
Publicidade
Publicidade
Enquete
...
...
Publicidade
Lenium - Criar site de notícias