
A atuação da Itaipu Binacional na implementação dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) ganhou protagonismo internacional durante o Segundo Workshop Global de Relatórios Nacionais Voluntários (RNVs) 2026, realizado entre os dias 8 e 10 de abril, na sede da Fiocruz, em Brasília.
O evento reuniu representantes de 36 países e integra a preparação para o High-Level Political Forum (HLPF), principal instância global de monitoramento da Agenda 2030, que será realizado em julho, em Nova York. Neste contexto, a Itaipu se destacou como uma das principais referências na chamada “territorialização” dos ODS – estratégia que conecta diretrizes globais à realidade local.
A consolidação de uma nova geração de RNVs marca uma mudança significativa de abordagem, tornando-os mais analíticos, baseados em evidências, conectados a causas estruturais e construídos de forma mais inclusiva e participativa. Deixando de ser apenas documentos descritivos, os RNVs passam a se configurar como instrumentos estratégicos de política pública, capazes de identificar lacunas e gargalos, orientar a tomada de decisão e fortalecer o posicionamento internacional dos países.
Nesse contexto, o encontro reforça esse papel ampliado dos relatórios, destacando sua função tanto na orientação estratégica interna quanto na projeção global. Segundo a chefe do escritório de Brasília e coordenadora de assuntos internacionais da Itaipu, Lígia Leite Soares, “o RNV não pode ser apenas um relatório ou um exercício de comparação entre países. Ele precisa ser um instrumento que nos ajude a enxergar onde estão as lacunas e, principalmente, como avançar”.
Presente em todos os ciclos de elaboração dos RNVs brasileiros, a empresa teve papel ativo no workshop, contribuindo com a organização, moderação de debates e apresentação de experiências práticas. Lígia Leite Soares, responsável por conduzir a sessão sobre a experiência brasileira na implementação dos ODS, afirmou: “A Agenda 2030 só se concretiza quando chega ao território. E isso exige governança, participação e capacidade de transformar compromisso em ação”.
Modelo de governança participativa
Durante o encontro, a Itaipu apresentou seu modelo estruturado pelo Programa de Governança Participativa, considerado um dos principais exemplos de implementação concreta da Agenda 2030 no Brasil. A iniciativa organiza a atuação a partir de Núcleos de Cooperação Socioambiental, que reúnem atores locais para identificar desafios, priorizar ações e alinhar políticas públicas com base em evidências.
Esse formato permite integrar diferentes agendas, como o combate às desigualdades sociais e raciais, com atuação direta em comunidades indígenas e populações vulnerabilizadas. A experiência dialoga com a nova geração de RNVs discutida no evento, que deixa de ser apenas descritiva para se tornar instrumento estratégico de gestão pública.
“A Itaipu atua conectando o território à estratégia nacional. Não se trata apenas de investir, mas de organizar a ação coletiva a partir das realidades locais, integrando instituições e potencializando o que já existe”, destacou Lígia.
Com investimentos de cerca de US$ 5 milhões na territorialização da Agenda 2030, a empresa se consolida como uma das principais apoiadoras dessa abordagem no país, atuando de forma complementar ao Estado e fortalecendo a implementação de políticas públicas.
Experiência brasileira
A sessão dedicada ao Brasil, mediada por Lígia Leite Soares, reuniu representantes do governo, da academia e de comunidades tradicionais, evidenciando a importância da diversidade de vozes na implementação dos ODS.
Participaram nomes como Luciana Servo, presidente do Ipea; Tatiana Dias, diretora de Avaliação, Monitoramento e Gestão da Informação do Ministério da Igualdade Racial; João Kaba Remuybu, do Centro de Educação Indígena da UEPA (povo Munduruku); Joelma Alencar, coordenadora do Centro de Educação Indígena da Universidade do Estado do Pará (UEPA); e Washington Bonfim, secretário de Planejamento do Estado do Piauí.
Entre os destaques, estiveram a adaptação das metas globais à realidade brasileira, o uso de dados para orientar políticas públicas e a inovação representada pelo ODS 18, voltado à igualdade étnico-racial – iniciativa que despertou interesse internacional.
A contribuição da Itaipu também se estende ao plano nacional, com apoio à Comissão Nacional para os ODS e participação na elaboração do RNV apresentado pelo Brasil no ciclo anterior, em 2024.
A UEPA trouxe a perspectiva indígena, com foco na importância dos saberes tradicionais e da diversidade de visões de mundo, incluindo a tradução da Agenda 2030 para a língua Munduruku; já o governo do Piauí mostrou como os ODS podem ser apropriados pela cultura local, com o projeto ODS Rupestres, conectando sustentabilidade, patrimônio e identidade.
Próximos passos
Como desdobramento do processo, o Brasil se prepara para a realização da primeira Conferência Nacional dos ODS, prevista para junho de 2026, em Brasília. A iniciativa deve reunir diferentes setores da sociedade para consolidar diretrizes e fortalecer a implementação da Agenda 2030 no país.
Para a Itaipu, o desafio agora é ampliar ainda mais a conexão entre políticas públicas e realidades locais. “Os ODS não podem ser apenas compromisso internacional. Precisam ser ação concreta, com impacto real na vida das pessoas”, concluiu Lígia.