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Palmas se consolida como principal produtor de sementes de soja e batata do Paraná

Condições climáticas fizeram da microrregião uma das preferidas para a instalação de cultivos pelas empresas sementeiras. Na safra 2023/2024 o município produziu 9,2% da produção de sementes de soja do Estado e 26% da semente de batata.

Por: Redação Fonte: AEN
02/01/2026 às 12h30
Palmas se consolida como principal produtor de sementes de soja e batata do Paraná
Região de Palmas fortalece cadeia produtiva e exporta sementes de soja e batata para outros estados Foto: Gilson Abreu/Arquivo AEN

O município de Palmas, no Sudoeste do Paraná, é um importante centro de produção de sementes de soja e batata. As condições climáticas fazem da microrregião uma das preferidas para a instalação de cultivos pelas empresas sementeiras.  

De acordo com os últimos dados disponíveis, referentes à safra 23/24, Palmas foi responsável pela produção de 47,6 mil toneladas de semente de soja, 9,2% de toda a produção do Paraná de acordo com levantamento do Deral (Departamento de Economia Rural) da Secretaria Estadual da Agricultura e do Abastecimento (Seab). O volume também representou 34,1% do total da microrregião, que é formada, ainda, por Clevelândia, Coronel Domingos Soares, Honório Serpa e Mangueirinha. 

Saíram do município, no mesmo período, 9,37 mil toneladas de batata semente, o que correspondeu a 26% do total produzido no Estado. No que se refere a volume total (consumo e semente) os municípios de Guarapuava e Pinhão são os dois maiores produtores, com 119,8 mil toneladas e 93,1 mil toneladas respectivamente. Palmas fica na terceira posição, de acordo com o Deral.

A produção de sementes é uma atividade que envolve cooperativas e sementeiras. Para atender a demanda, as empresas fazem contratos com pequenos, médios e grandes produtores. Assim, eles passam a contar com acompanhamento técnico necessário para que a produção de sementes atenda às exigências de qualidade e obtenham a certificação.

Lucas Fernando Oliveira dos Santos, extensionista do Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná) de Palmas, vê com bons olhos esse crescimento na produção de semente de soja. “Isso mostra mais um potencial para a microrregião de Palmas, além da madeira”, afirma Santos, ressaltando o potencial para crescer ainda mais.

 

SOJA - Na safra 23/24, conforme o levantamento do VBP (Valor Bruto de Produção), do Deral, o Paraná teve uma produção total de 18.778,5 milhões de toneladas de soja em uma área cultivada de 5.828,2 milhões/ha. Desse volume de produção, 2,75% (517,1 mil toneladas) correspondem à produção de sementes. 

Considerando-se a produção dos cinco municípios que formam a microrregião de Palmas, a produção de semente de soja chegou a 122.267 mil toneladas, ou 23,6% do volume produzido no Estado. Se levado em conta que o volume médio de uso de sementes fica entre 55 e 60 kg/ha, a região produz sementes o suficiente para cobrir uma área entre 2,3 a 2,5 milhões de hectares.

O município de Tibagi ocupa a segunda posição na produção de sementes de soja, com 36 mil toneladas, na safra 23/24. Mangueirinha vem em seguida com 34,2 mil/ toneladas. Arapoti e Marilândia do Sul ficam em quarto lugar, com quase 24 mil toneladas. As sementes produzidas no Paraná também são comercializadas em Santa Catarina e Mato Grosso do Sul. 

MICROCLIMA - O agrônomo Vilmar Grando, do IDR-Paraná de Pato Branco, explica que o clima de Palmas é muito favorável para a produção de sementes. Segundo ele, a altitude do município, cerca de 1000 metros acima do nível do mar, forma um microclima cuja temperatura média no verão é de 25ºC, enquanto em regiões a 500 metros do mar, chega facilmente a 30ºC.

 “A soja tem um bom desenvolvimento quando a temperatura fica entre 20º C e 30ºC. Acima dessa faixa a planta desestrutura algumas proteínas e perde a qualidade do grão”, disse Grando. 

Durante a noite a temperatura média também ajuda as lavouras, ficando entre 15ºC e 18ºC. O agrônomo acrescentou que nessas condições a soja tem um menor gasto de energia, facilitando o ganho energético. “A planta respira menos e armazena mais energia que é dirigida à produção dos grãos, o que confere mais qualidade à semente. Nas regiões com altitude abaixo de 600 metros do nível do mar, os dias e as noites são mais quentes e não favorecem a planta”, ressaltou.

 

Outro fator importante para o sucesso da produção de sementes no entorno de Palmas é o regime de chuvas. Mesmo com os eventos extremos que vêm ocorrendo por causa das mudanças climáticas, Grando explica que o microclima da região tem se mantido estável, o que dá estabilidade à produção.

“Nos últimos anos não registramos grandes perdas causadas por estiagem na região”, afirmou. De acordo com o agrônomo, a ocorrência de temperaturas menores também aumenta o teor de matéria orgânica no solo, melhorando as condições nas áreas de cultivo.

Além das condições climáticas, os produtores ainda contam com outras facilidades. O IDR-Paraná mantém uma estrutura de câmara fria em Palmas, onde a batata semente produzida na região pode ficar armazenada até o plantio.

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